Redução no desmatamento ilegal impulsiona preservação no Piauí
Piauí registra queda de 68% no desmatamento ilegal em 2024.
O estado do Piauí alcançou um marco significativo em termos de preservação ambiental. No primeiro semestre de 2024, o desmatamento ilegal reduziu em 67,9% comparado ao mesmo período do ano anterior. Os dados são da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), baseados nos satélites Landsat e Sentinel. A preservação de mais de 20 mil hectares de área nativa foi um dos principais destaques desse período.
Os números revelam que, de janeiro a junho de 2023, 29,6 mil hectares foram desmatados ilegalmente. Em 2024, a área reduziu para menos de 9,6 mil hectares, configurando o melhor desempenho do estado nos últimos quatro anos. A tendência de redução se manteve até 2025, com uma queda de 6,2% no desmatamento do primeiro para o segundo trimestre, passando de 4,9 mil para 4,6 mil hectares.
Segundo Feliphe Araújo, secretário estadual do Meio Ambiente, essa conquista é fruto de políticas públicas sólidas, que incluem o uso de tecnologia avançada, monitoramento contínuo e fiscalização rigorosa.
“Estamos autorizando apenas o que a lei permite, em casos de utilidade pública, interesse social ou atividades de baixo impacto ambiental. Intensificamos as operações de fiscalização em campo e via satélite. Este trabalho tem sido crucial para reduzir o desmatamento ilegal e proteger nossas áreas nativas”, destacou Feliphe.
O Piauí desempenha um papel crucial na conservação da Mata Atlântica e na proteção do Cerrado, um dos biomas mais ameaçados do Brasil. Feliphe complementa que o compromisso é manter o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental.
Ainda que os resultados sejam positivos, a gerente do Centro de Geotecnologias Fundiária e Ambiental (CGEO) da Semarh, Aline Araújo, adverte sobre os desafios dos próximos meses. Historicamente, setembro e outubro são períodos críticos para a vegetação nativa, devido ao preparo da terra para o plantio.
“Embora os dados sejam animadores, os meses de setembro e outubro sempre apresentam aumento no desmatamento e nas queimadas, devido às preparações para o plantio. Neste período, proibimos o uso do fogo. Com o início das chuvas, principalmente no Sul do estado, muitos produtores aproveitam para preparar o solo. Assim, um balanço anual mais preciso será possível após esse período”, explica Aline.
Mesmo com essas condições sazonais, a queda significativa no desmatamento e o fortalecimento das ações de comando e controle destacam o Piauí como referência em gestão ambiental no Nordeste. As políticas ambientais sólidas, o uso inteligente da tecnologia e a efetiva atuação do poder público têm sido fundamentais para conter o desmatamento e garantir um futuro sustentável.