Presidente do Flamengo-PI afirma que eleições aconteceram de forma regular
André Russo afirma que clube não foi notificado sobre designação de um interventor para o clube.
O Flamengo-PI vive um momento conturbado dentro e fora de campo. Enquanto o atual presidente do clube, André Russo, tenta reerguer a instituição e fazer o time voltar a estar entre os melhores do Piauí, ele tem precisado lidar com uma briga judicial que tem prejudicado o clube de diversas formas.
Nesta semana, André descobriu através da imprensa que a 3ª Vara Cível da Comarca de Teresina (PI) designou um novo inventor para o clube. O advogado Carlos Alberto Paz Neto aceitou o cargo e, agora assume atos administrativos do clube junto à Federação de Futebol do Piauí (FFP), Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e demais órgãos relacionados. Além disso, a eleição realizada no último sábado (26) está sendo considerada irregular e não foi homologada.
Ainda que as informações tenham sido divulgadas na imprensa, o presidente do Flamengo-PI afirma que até o presente momento, a instituição não foi notificada oficialmente pela Justiça a respeito do interventor.
Entenda o caso
O Flamengo-PI começou a ter problemas judiciais quando, em fevereiro deste ano, Rubens Gomes, ex-presidente do clube, entrou com um pedido de afastamento contra o atual presidente, junto ao Tribunal de Justiça do Piauí. De acordo com Rubens Gomes, a solicitação foi feita porque André Russo foi eleito de forma irregular, no pleito que foi realizado em 19 de agosto de 2023. Segundo o ex-presidente, na ocasião da eleição, não houve o cumprimento do estatuto do clube.
Apesar das acusações, André Russo nega que tenham ocorrido irregularidades no processo eleitoral.
“Essa eleição foi realizada de forma transparente, feita pela própria Justiça, pela 4ª Vara aqui do estado do Piauí. A eleição foi homologada no dia 12 de setembro e as atas foram registradas no cartório, então a eleição aconteceu de forma correta. O Flamengo-PI ainda estava organizando seus quadros dos Conselhos, então a Justiça fez algumas adequações e realizou o pleito através de Assembleia Geral, para que os conselhos começassem a serem homologados, registrados, para de fato eles terem autonomia e assim por diante, e comandar o próximo passo eleitoral, que é o Conselho Deliberativo, que por sinal não foi regularizado até hoje. A ata nunca foi registrada, o Conselho encontra-se defasado estando abaixo da capacidade mínima que pede o Estatuto, que são 30 pessoas.”
Segundo o atual gestor, foi baseado nessas informações que o ex-presidente entrou com a ação. Ele ainda destaca que a 3ª Vara não teria competência para julgar o pedido, visto que o processo está em andamento na 4ª Vara, sem ter sido sentenciado ainda. Ele ainda destaca que Rubens Gomes não faz parte do quadro de sócios do clube. Em complemento, André Russo ainda garante que a eleição realizada no último sábado (26) foi feita de forma correta, visto que o clube não foi notificado sobre o interventor e, consequentemente, não estava oficialmente ciente de que pleitos agendados fossem suspensos.
“A eleição ocorreu de forma correta, pois a primeira decisão que saiu, em 19 de março, estabelecia que se fizesse uma comissão eleitoral entre os sócios ativos do clube, o que foi feito. O problema é que saiu uma decisão no dia 24 de abril determinando a nomeação de um interventor. Porém, o Flamengo-PI não foi notificado dessa decisão até hoje.”
“Além disso, essa decisão tem vários erros judiciais, pois os embargos de declaração acolhidos pela parte autora foram feitas fora do prazo. São cinco dias úteis para que você conteste uma decisão de um juiz, e eles fizeram isso em 10 dias, então passou o prazo, e o primeiro erro foi esse. O segundo erro foi que o Flamengo-PI não foi intimado para apresentar defesa a respeito desse embargo. Nós, inclusive, já pedimos a nulidade dessa decisão. A eleição, até então, aconteceu de forma correta baseada na primeira decisão que foi proferida, e a comissão fez uma eleição correta, justa, transparente e, inclusive, os documentos já serão anexados hoje ao processo.”
Briga judicial afeta planejamento do clube
André Russo destaca que as ações judiciais atingem o clube de diversas formas e afetam o planejamento do Flamengo-PI não somente para a reestrututação do clube, mas também para a disputa do Campeonato Piauiense Série B.
“Essa questão judicial prejudica muito o Flamengo-PI em diversos aspectos, pois gera instabilidade, gera uma insegurança jurídica muito grande, você não consegue mais manter o diálogo com os patrocinadores e investidores. Foi um problema muito sério causado por pessoas que insistem em tumultuar, em atrapalhar o ambiente, principalmente depois que a gente noticiou através da imprensa que o clube receberia um aporte financeiro de aproximadamente R$ 1 milhão para disputa da competição. Então, foi a partir desse momento que começou toda essa confusão e essa disputa judicial, que aparentemente está longe de terminar.”
“Por causa dessas questões de processo judicial e intervenção, o Flamengo-PI corre um sério risco de não disputar a segunda divisão do Piauiense. O clube já ficou de fora do Sub-17, do Sub-20 e consequentemente pode ficar fora do profissional, pois já existe um pedido na própria CBF para bloquear o registro de novos atletas, porque o clube tem dívidas trabalhistas enormes, principalmente por causa da última gestão que passou pelo clube, que deixou cerca de 50 processos trabalhistas, todos eles ativos.”
Além da equipe profissional, as categorias de base do Flamengo-PI também são afetadas pelas dívidas e pelo processo judicial.
“A gente tem metas a serem colocadas em prática, nossos planos, nossos projetos. A gente já vinha trabalhando desde que eu assumi o Flamengo-PI em agosto de 2023 quando teve a eleição e eu fui homologado em setembro de 2023. A gente tinha um planejamento para o Flamengo-PI, tanto para as categorias de base, não somente para disputar competições, mas realmente fazer uma estruturação, pois a base passa por uma instabilidade muito grande. Há muito tempo a base do clube não tem dado resultado, pois é um trabalho muito mal feito, sem estrutura nenhuma, e tudo isso que está acontecendo prejudica o nosso trabalho em relação a isso.”
O atual presidente do Flamengo-PI explica que o clube vem lutando para que os responsáveis pelas dívidas do clube sejam responsabilizados. Segundo ele, há um pedido de desconsideração de personalidade jurídica, o que tem feito as contas serem direcionadas para o CPF do responsável pelos débitos trabalhistas.
Trabalho da atual gestão e situação financeira
Além das questões judiciais enfrentadas pelo clube, André explica a respeito da situação financeira enfrentada pelo Flamengo-PI. Segundo ele, as finanças do clube encontram-se no vermelho há anos devido ao trabalho feito pelas gestões anteriores.
“A questão financeira do Flamengo-PI é muito grave. O clube encontra-se no vermelho desde que eu assumi o clube. Eu já peguei o Flamengo-PI no vermelho, com vários problemas trabalhistas, com vários problemas estruturais. Hoje o clube não tem uma sede, tem apenas uma sala comercial pequena no centro da capital.”
“Infelizmente, desde fevereiro as coisas começaram a desandar por conta desse processo judicial, que atrapalha muito. Hoje o Flamengo-PI não tem recursos em caixa, tem suas contas bloqueadas pela Justiça e inclusive não pode receber recursos em conta bancária por conta disso. Eu, como presidente, também estava com as contas bloqueadas desde agosto de 2024 até o mês passado. Agora estamos tentando reverter a situação e conseguimos liberar esses bloqueios, e passar para a pessoa que realmente é o responsável por toda essa dívida que o Flamengo-PI tem.”
André explica que, apesar do clube possuir dívidas desde o ano de 1994, cerca de 90% das dívidas do clube foram adquiridas durante a última gestão, entre 2019 e 2022, com o acúmulo de diversos processos trabalhistas, tanto de funcionários quanto de comissão técnica e ex-atletas.
Um dos pontos defendidos pela atual diretoria é que o clube volte a ter uma sede. Para isso, a gestão está tentando recuperar a sede do clube, que foi vendida em 2013.
Apesar dos problemas deixados pelas gestões passadas, o presidente afirma que segue buscando soluções para que o clube venha a se reerguer.
“Inclusive, em relação às questões financeiras, a gente já está fazendo um trabalho de investimento, fechando parcerias com empresários e investidores de São Paulo e de Brasília. Já estava sendo feita uma tratativa de um acordo do passivo-trabalhista do Flamengo-PI, que hoje gira em torno de R$ 2 milhões, fora um débito dentro do CNPJ que é de mais de meio milhão de reais. Então, já estava sendo feito um trabalho para a gente sentar com a Justiça do Trabalho e propor um acordo de como a gente poderia fazer isso, de quanto o Flamengo-PI poderia dividir esse valor, das formas de pagamento, então eram várias situações que já estavam sendo tratadas desde janeiro.”
Diante do cenário complexo vivido pelo Flamengo-PI, André Russo explica que o clube precisará aguardar as próximas decisões judiciais para refazer o planejamento para o clube e seguir trabalhando para recuperar o clube piauiense.