Governo avaliava DPVAT como obsoleto antes de revogação

Parlamentares consideravam seguro de acidentes "vencido" antes da mudança.
Carros novos estacionados em fábrica da Volkswagen em Taubaté.
Carros novos estacionados em fábrica da Volkswagen em Taubaté. (Foto: Paulo Whitaker / Reuters)

Antes da revogação do DPVAT pela Câmara dos Deputados, parlamentares governistas já consideravam o seguro de acidentes de trânsito, substituído pelo SPVAT, como obsoleto. A falta de apoio dos governadores estaduais para firmar convênios e viabilizar a cobrança do seguro foi apontada como o principal motivo para essa avaliação, conforme destacado por Carlos Zarattini (PT-SP), relator do projeto na Câmara.

A Avaliação dos Governistas

De acordo com Zarattini, a recusa da maioria dos governadores, especialmente das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, em estabelecer os convênios tornava inviável a operacionalização do seguro. Governadores como Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG), Ronaldo Caiado (GO), Ibaneis Rocha (DF), Ratinho Júnior (PR) e Jorginho Mello (SC) se posicionaram publicamente contra a cobrança do seguro, o que dificultava sua implementação.

O SPVAT previa a cobrança junto com o IPVA ou licenciamento, ou ainda diretamente pela Caixa Econômica Federal. No entanto, com a resistência de diversos estados e um grande número de veículos sem cobertura, os governistas consideravam a operação "quase impossível".

Impacto do Fim do Seguro

Carlos Zarattini ressaltou que o fim do seguro não acarretaria perdas de receita para o governo, uma vez que a arrecadação estava destinada às indenizações de vítimas de acidentes. Segundo o deputado, os mais prejudicados com a revogação do seguro seriam as pessoas mais necessitadas, que contavam com essa proteção em caso de sinistros.

O projeto de lei complementar que instituiu o SPVAT foi sancionado por Lula em maio deste ano, porém, durou apenas cerca de 7 meses antes de ser revogado pela Câmara dos Deputados. Estima-se que o novo DPVAT teria um custo anual entre R$ 50 e R$ 60 para os motoristas, de acordo com informações do Ministério da Fazenda.

O DPVAT deixou de ser cobrado durante a gestão anterior, e a Caixa Econômica Federal alertou que só teria recursos para atender solicitações de acidentes ocorridos até novembro de 2023. Essa situação foi um dos fatores que impulsionaram a retomada do seguro, evidenciando a importância da proteção oferecida pelo DPVAT.