Floriano terá Primeira Copa Estudantil de Futsal em junho

Competição acontecerá na AABB e expectativa é que cerca de 200 crianças participem.

A partir do próximo dia 07, acontecerá a Primeira Copa Estudantil de Futsal, em Floriano (PI). O evento esportivo será realizado para as categorias Sub-11 e Sub-13, com jogos a serem disputados na AABB da cidade.

O evento, organizado pela Associação Velho Monge de Futsal Florianense, deve ter a participação de cerca de 200 crianças da região de Floriano. A ideia de realizar uma competição de futsal surgiu após o grupo ter uma experiência com Carlos Augusto Ferreira, o Pompeia.

“A gente espera atingir uma quantidade boa, são 15 atletas por equipe. Esperamos alcançar entre 200 a 220 atletas nessa primeira competição e, futuramente, vamos aumentar esse número. Até porque é uma novidade para essa categoria Sub-11 e Sub-13”, conta Diego Lima, um dos organizadores da competição.

Para que a criança interessada possa participar da competição, três critérios precisam ser cumpridos: 1) Estar matriculado em alguma instituição de ensino; 2) Ter no mínimo 75% de frequência nas aulas; 3) Não ter mais de duas notas vermelhas.

As inscrições já estão abertas e podem ser feitas através do WhatsApp (89) 99427-2274.

Um dos idealizadorres da competição, Diego Lima explicou a importância da Primeira Copa Estudantil de Futsal para os jovens da cidade de Floriano.

“A importância da primeira Copa Estudantil de Futsal para jovens de Floriano, especialmente nas categorias Sub-13 e Sub-11. Antigamente, havia muitas competições voltadas para essas categorias e, com o passar dos anos, essas competições foram ficando para trás. Hoje, vê-se mais competições para adultos, e a criança acabou ficando um pouco esquecida. Então, a gente se reuniu e resolveu resgatar um pouco dessas competições que existiam em Floriano.”

Segundo Diego, a competição impacta na formação e qualidade do atleta. Ele explica que o evento contribui com as habilidades de domínio, passe de precisão, movimentação e troca de posições durante a partida. Além disso, o profissional destaca que o futsal também impacta na vida da criança como um todo.

Questionado sobre o que motivou o grupo a realizar a competição, Diego destaca que estão resgatando uma tradição da cidade.

“Floriano tinha uma tradição de várias competições para estudantes. Eu posso citar algumas: Copa da Afes, Copa da Independência e as copas colegiais. Praticamente todo mês, cada escola tinha uma competição, uma copa estudantil, e com o passar dos anos essas competições foram sumindo. Acho que até 2002, se não me falha a memória, ainda houve a Copa da Afes. A última Copa da Independência foi em 2000. Eram várias categorias. Nossa equipe foi até campeã em cima da Escola Lindolfo Uchôa, uma das escolas mais tradicionais de Floriano. Com o passar dos anos, essas copas foram acabando. Então, a gente se reuniu e resolveu resgatar essa tradição que existia em Floriano, de praticamente todo mês ter uma ou duas competições nas escolas. E, de certa forma, isso incentiva o aluno a frequentar a escola e tirar boas notas. Esse é o nosso propósito.”

Foto: Arquivo Pessoal
Diego Lima, um dos organizadores da Primeira Copa Estudantil de Futsal.

Inspirados pela frase do saudoso Pompeia “Quem não for atleta tem que ser cidadão”, Diego explica como o professor está servindo de inspiração para que eles pensem no esporte em Floriano e, de que forma eles irão trabalhar o lado educativo das crianças durante o campeonato.

“O seu Pompéia, na realidade, foi mais que um professor pra gente — ele foi um pai, uma pessoa que nos ensinou muito. Ele e o saudoso Tony Ferreira, que recentemente nos deixou, e o professor Lucimar Feitosa, que coordenava o projeto da CBF, que logo depois virou Atletas do Futuro. E o seu Pompéia sempre bateu na tecla da responsabilidade: pra você jogar, você tinha que estar estudando. Quantas vezes ele não ficou ali na frente do ginásio, no portão, pedindo o boletim da gente, pedindo as notas? E se a gente chegasse sem o boletim ou com nota vermelha, a gente não treinava. Ele era muito rígido nessa parte, e graças a Deus eu sou muito grato por isso."

"Porque, assim, quando criança, meu sonho — não só meu, mas de muitos outros — era se tornar jogador de futebol. Mas, infelizmente, o destino não quis. Graças a Deus, hoje nós somos cidadãos. E eu digo “nós” porque outras pessoas que participaram do projeto dele, graças a Deus, são todos formados. No nosso projeto hoje temos o professor Maicon Arruda, o Júnior Cazega, o Tiago Arrais, o Luiz Henrique, o Everton Brito — que é um garoto de Brasileira do Piauí e hoje reside em Floriano. Então, a gente é muito grato. Talvez só o Hermes não tenha passado pela escolinha do seu Pompéia."

"O Júnior Cazega chegou até a jogar na base do Juventude, de Caxias do Sul, saindo desse projeto. O Hélder jogou no Figueirense, acho que teve uma rápida passagem pela base do Palmeiras, se não me falha a memória. O Joelson, garoto da cidade de Nazaré do Piauí, e o Edson Piauí — já falecido — também jogaram no Athletico-PR, Porto de Caruaru e Oeste de São Paulo. Tudo saiu desse projeto. E, graças a Deus, alguns vingaram no mundo do futebol. E os que não vingaram se tornaram cidadãos. Cidadãos que, digo, são pais de família, trabalhadores, que se formaram — cada um na sua área — mas que hoje exercem uma função importante na sociedade.”

Diego esclarece também sobre os critérios adotados para que a criança possa se inscrever na competição. Segundo ele, mesmo antes da competição começar, o evento já está surtindo efeito na vida escolar dos atletas.

“A gente adotou esses três critérios para participar da competição porque acha muito importante o aluno estar matriculado e ter, no mínimo, 75% de presença em aula. Só estar matriculado basta? Não. Só estar indo para a escola basta? Também não. Esses dois critérios são fundamentais, mas o mais fundamental é ter boas notas. Porque de nada adianta estar matriculado, indo para o colégio, mas não estar tirando boas notas. Então, a gente colocou como critério que, nas oito provas que o aluno fizer, se ele tirar duas notas vermelhas, já não vai poder participar. Futuramente, a gente quer zerar essa tolerância a notas vermelhas."

"Esta semana, a gente recebeu o contato de uma professora de uma escola que vai participar da nossa competição. Ela disse que os alunos estão super empolgados com o evento. Tem crianças que estavam frequentando a escola uma vez por semana e agora estão indo todos os dias, assistindo a todas as aulas. Isso nos motiva cada vez mais a não realizar somente esta competição, mas outras que virão pela frente. Esse é apenas o começo, é só um torneio. E aí, futuramente, a gente vai trazer algo muito maior, algo para impactar a cidade.”

Além dos organizadores da competição, pais, professores e escolas também estão se envolvendo e demonstrando apoio à competição. O organizador fala como está sendo o trabalho de divulgação nas unidades escolares.

“Os pais, professores e diretores das escolas — graças a Deus — em todas as escolas por onde a gente andou, fomos bem recebidos pelos diretores e professores, que nos deram os parabéns pela nossa iniciativa de retomar essas competições.

Muitos pais de alunos — pais esses que jogaram essas competições nos anos 90 e 2000 — nos deram os parabéns porque os filhos deles, até mesmo o meu filho, vão ter a oportunidade de jogar essas competições, algo que a gente fez há muitos anos.

Então, graças a Deus, tanto os pais quanto os professores e diretores estão nos recebendo muito bem. É só gratidão mesmo.”

Para que a competição seja um sucesso, o grupo tem buscado apoio de empresas da cidade, que estão sendo bastante colaborativas para que o evento esportivo aconteça. Diego explica que, neste primeiro evento, o grupo optou por não buscar apoio de instituições públicas.

“Sobre os apoios, graças a Deus, não estamos tendo nenhuma dificuldade. Em relação ao apoio das empresas de Floriano, as que nós procuramos, graças a Deus, nos receberam muito bem e já deram o aval, já deram o "ok" para que a gente possa realizar a nossa competição.

A gente achou melhor não procurar o poder público. Entendemos que o poder público tem outras prioridades, então preferimos não envolver nesse primeiro momento.

Até porque os empresários de Floriano — e eu sou muito grato a todos que já visitei e aos que ainda vou visitar — têm sido muito receptivos. A partir de segunda-feira já estamos com a agenda cheia, com várias empresas para visitar. Eu sou muito grato a todos que me receberam e que ainda vão receber a gente.”

Apesar de todo apoio recebido, Diego relata que os organizadores têm encontrado um pouco de dificuldade em relação ao número de atletas dentro dos critérios estabelecidos para participar da competição.

“O maior desafio, nesse momento, tem sido a novidade. Porque, como passou muito tempo parado, sem ter esses jogos, a gente está encontrando um pouco de dificuldade apenas na questão de atletas que estejam dentro dos critérios. Como eu falei, tem muitos alunos que faltavam muito à escola. Mas, como mencionei anteriormente, já tem aluno que está frequentando a semana toda, não está faltando às aulas. Agora a gente está esperando só as provas do mês de maio acontecerem em algumas escolas, para então ver quais alunos estarão aptos a jogar a competição."

Finalizando, Diego fala sobre eventos desse tipo não acontecerem com mais frequência na cidade.

“Bom, o que falta para esse tipo de evento acontecer com mais frequência na nossa cidade, eu acho que o primeiro passo já está sendo dado. A gente está dando esse primeiro passo. Em outubro vai acontecer o Sub-15.

A gente começou com essas duas categorias, Sub-11 e Sub-13, e em outubro vai ter o Sub-15 e o Sub-17. Então, acho que o primeiro passo está sendo dado para que isso possa acontecer mais vezes.

A gente espera mais das escolas, que elas possam promover interclasses, até mesmo para que, quando surgirem essas competições — esse intercolegial, podemos chamar assim — os alunos já estejam mais preparados.”

Foto: Arquivo Pessoal
Da esquerda para a direita, os organizadores do evento: Luis Henrique, Thiago Arrais, Herbert Brito, Maykon Arruda e Diego Lima.