Após caso de raiva, Sesapi dá orientações sobre os cuidados com animais

O caso de raiva humana foi registrado na zona rural de Piripiri

Na última sexta-feira (30) foi confirmada uma morte por raiva humana na zona rural do município de Piripiri (PI) . Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi), não há motivo para pânico , mas a população precisa seguir algumas orientações importantes para que a doença não volte a circular no estado. Conforme a secretaria, o Piauí registrou a ocorrência da doença, pela última vez, em 2013, nas cidades de Pio IX e Parnaíba .

Foto: Julio Cesar Bazanini/USP Imagens

Ainda de acordo com a Sesapi, no caso de Piripiri, a transmissão da doença aconteceu após o ataque de um macaco conhecido popularmente como sagui . Em casos como este, a orientação é que a vítima procure imediatamente o atendimento médico . A raiva é transmitida ao homem pela saliva de animais infectados, principalmente por meio da mordedura, podendo ser transmitida também pela arranhadura e/ou lambedura desses animais. Por isso, é importante evitar qualquer contato com animais silvestres.

Em casos de acidentes com estes animais e também com cães e gatos, a assistência médica deve ser procurada o mais rápido possível. Quanto ao ferimento, deve-se lavar abundantemente com água e sabão, o mais rápido possível, e aplicar produto antisséptico .

A secretaria alerta ainda que o esquema de profilaxia da raiva humana deve ser prescrito pelo médico ou enfermeiro, que avaliará o caso indicando a aplicação de vacina e/ou soro . Nos casos de agressão por cães e gatos, quando possível, observar o animal por 10 dias para ver se ele manifesta a doença ou morre.

“Devemos observar o comportamento desses animais. Se identificarmos algum morto próximo a nossa casa, os serviços de saúde devem ser acionados, como zoonoses e vigilância ambiental, para serem recolhidos e coletadas as amostras”, explica Meirilane Veloso, gerente de Vigilância em Saúde da Sesapi.

Em relação aos animais domésticos, a Sesapi reforça que a vacinação é a única forma de se evitar a doença . A vacinação anual de cães e gatos é eficaz na prevenção da raiva nesses animais, o que consequentemente previne também a raiva humana. Deve-se sempre evitar de se aproximar de cães e gatos sem donos, não mexer ou tocá-los quando estiverem se alimentando, com crias ou mesmo dormindo . Nunca tocar em morcegos ou outros animais silvestres diretamente , principalmente quando estiverem caídos no chão ou encontrados em situações não habituais.

"Essa vacina ajuda a proteger que nossos animais domésticos, cães e gatos, adoeçam por raiva animal. Em relação aos animais silvestres, não existe ainda vacinação, por isso, é importante manter o distanciamento e não criar esses animais em ambiente doméstico”, reforça a técnica da Sesapi.

A raiva é uma doença infecciosa viral aguda grave, que acomete mamíferos, inclusive o homem, e caracteriza-se como uma encefalite progressiva e aguda com letalidade de aproximadamente 100%. É causada pelo vírus do gênero Lyssavirus , da família Rabhdoviridae.

“A população não precisa ficar assustada em relação a esse caso de Piripiri, mas é necessário reforçarmos todos cuidados necessários para que essa doença não volte a circular em nosso território. Por isso, pedimos a colaboração dos piauienses na adoção dos cuidados”, conclui a gerente da Sesapi.

Transmissão

O período de incubação do vírus no humano está relacionado à localização, extensão e profundidade da mordedura, arranhadura, lambedura ou tipo de contato com a saliva do animal infectado; da proximidade da porta de entrada com o cérebro e troncos nervosos; concentração de partículas virais inoculadas e cepa viral.

"O período de incubação é relacionado a localização. O período de incubação vai de 2 semanas a 1 mês. E a eficiência dos protocolos terapêuticos depende da localização, extensão e tempo em que o paciente procura o atendimento médico. Quanto menor o tempo de procura do atendimento melhor a eficiência das medidas terapêuticas", explica a gerente.

Em cães e gatos, a eliminação de vírus pela saliva ocorre de dois a cinco dias antes do aparecimento dos sinais clínicos e persiste durante toda a evolução da doença (período de transmissibilidade). A morte do animal acontece, em média, entre 5 e 7 dias após a apresentação dos sintomas.

Não se sabe ao certo qual o período de transmissibilidade do vírus em animais silvestres . Entretanto, sabe-se que os quirópteros (morcegos) podem albergar o vírus por longo período, sem sintomatologia aparente.

Foto: Reprodução/Internet

Sintomas

Após o período de incubação, surgem os sinais e sintomas clínicos inespecíficos (pródromos) da raiva, que duram em média de 2 a 10 dias. Nesse período, o paciente apresenta :

  • Mal-estar geral;
  • Pequeno aumento de temperatura;
  • Anorexia;
  • Cefaleia;
  • Náuseas;
  • Dor de garganta;
  • Entorpecimento;
  • Irritabilidade;
  • Inquietude;
  • Sensação de angústia.

*com informações da Sesapi