Aniversário: Floriano comemora hoje, 8 de julho, 126 anos de emancipação
Nesta data, conheça as potencialidades da Princesa do Sul.
A cidade de Floriano (PI) celebra mais um dia 8 de julho. Nesta data, a Princesa do Sul, como é carinhosamente conhecida, comemora exatos 126 anos de emancipação política. O dia de hoje nos convida a viajar no tempo e conhecer os motivos que levam Floriano a ser uma cidade potência para região Sul do estado.
SURGIMENTO
Situada à margem direita do Rio Parnaíba, Floriano surge em torno dessas águas. Esse mesmo rio nos separa, ou nos une, à cidade de Barão de Grajaú, Maranhão. A Princesa do Sul fica a 230 km da capital do estado, Teresina, e situa-se geograficamente na Zona Zona Fisiográfica do Médio Parnaíba.
A região onde se localiza o município de Floriano situa-se na área das sesmarias que, em 1676, a Coroa Lusa concedeu a Domingos Afonso Mafrense, Julião Afonso Serra, Francisco Dias D´Ávila, Bernardo Gago, arcediago Domingos de Oliveira Lima, Manoel Oliveira Porto, Catarina Fogaça, Pedro Vieira Lima e Manoel Ferreira, potentados baianos, que jamais se abalaram a seguir para o Piauí e viver em suas terras.
Essas concessões estendiam-se por dez léguas de terras em quadro, para cada um deles, nas margens do Rio Gurgueia. Algum tempo depois, os contemplados, anteriormente, junto com Francisco de Souza Fagundes, obtiveram mais dez léguas de terras, em quadro, para o Parnaíba.
A criação de gado começou a se expandir com rebanhos vindos de Cabo Verde. A criação de gado vacuno foi se transformando, para além da atividade agrícola, em fonte principal de riquezas e, com o passar do tempo, os currais se multiplicaram.
O município de Floriano situa-se na área em que Domingos Afonso Mafrense fundou as primeiras fazendas de gado no Piauí. Elas formariam o centro da expansão da pecuária piauiense.
Com a morte de Mafrense em 1671, 30 de suas fazendas foram doadas aos padres da Companhia de Jesus — os jesuítas. Com a administração das fazendas pelos padres da Companhia, observou-se grande progresso e desenvolvimento dessas fazendas. Porém, em 1760, com a expulsão dos padres jesuítas do Brasil pelo Marquês de Pombal, as referidas fazendas passaram para o poder do Estado do Piauí ou, na época, Província do Piauí.
O Governador daquela época, João Pereira Caldas, após a expulsão dos jesuítas, promoveu o sequestro ou tomada das fazendas e faz o arrolamento dos bens das mesmas. Após isso, divide-as em três inspeções com nomes de Canindé, Nazaré e Piauí.
Passados alguns anos, já em 1873, desmembram-se, da inspeção de Nazaré, as fazendas: Guaribas, Serrinha, Matos, Algodões, Olho D´água e Fazenda Nova, para formarem a Colônia Rural de São Pedro de Alcântara, criada pelo Decreto Imperial nº 5.292, de 10 de setembro de 1873, a cuja frente do projeto da Colônia Rural se encontrava o ilustre e primeiro agrônomo do Piauí, formado na França, Francisco Parentes, que havia sido comissionado pelo Ministério da Agricultura do Brasil para estudar, minuciosamente, as condições de criação de gado bovino no Piauí, especialmente nas fazendas da Inspetoria de Nazaré.
A sede da colônia estava situada à margem direita do Rio Parnaíba, a 60 léguas acima da cidade de Teresina, na época, capital da Província do Piauí, e a 150 léguas do litoral, no lugar chamado “Chapada da Onça”. As fazendas acima mencionadas formariam o patrimônio da Colônia, e as mesmas foram consideradas pelo Ministério da Agricultura e da Fazenda, para o fim de formar a Colônia Rural, por Aviso de 10 de junho de 1873. As fazendas, que pertenciam à Inspetoria de Nazaré, contavam de 21 léguas de comprimento por 20 de largura, em excelentes terras, com pastagens de boa qualidade e foram doadas com três casas, currais e gado bovino existentes, em número de 10.000 cabeças.
Após essas providências, Francisco Parentes encontrava-se no Rio de Janeiro, ultimando entendimentos para o início dos trabalhos a partir de Teresina. A bordo do vapor “Piauhy”, seguido de grande comitiva, o governador do Piauí, na época chamado de Presidente da Província do Piauí, Adolpho Lamenha Lins, segue para o local da fundação, onde, no dia 10 do mesmo mês e ano, lança a pedra fundamental do edifício principal (atual Terminal Turístico de Floriano). A pedra continha a seguinte inscrição: “São Pedro d´Alcantara — Estabelecimento Rural, fundado por Decreto n° 5.392, pelo Agrônomo Piauiense Francisco Parentes, na presidência do Exmo. Senhor doutor Adolpho Lamenha Lins, 1874.” Quando as obras do grande edifício sede já estavam quase concluídas, Francisco Parentes contraiu febre maligna. Levado às pressas em uma canoa para Amarante, a procura de socorro médico, ali morreu com 37 anos de idade, no dia 16 de junho de 1876. Apesar da morte de Parentes, contudo, a obra teve continuidade.
Na época de Parentes e após a sua morte, por algum tempo não era permitidas construções de casas particulares na área do Estabelecimento, o que, de certa forma, impedia o desenvolvimento mais rápido da sede da Colônia. Foi na administração de Ricardo Ferreira de Carvalho, diretor do Estabelecimento Rural São Pedro de Alcântara, que foi permitida, livremente, a edificação de casas na colônia, o que era facilitado pela direção do Estabelecimento.
No edifício-sede funcionava uma escola para os filhos dos escravos (ambos os sexos), órfãos e libertos pela lei de 28 de setembro de 1871. A escola não ensinava somente as letras, mas o ofício de mecânico, técnicas agrícolas, arte de curtume, alfaiataria, fabricação de produtos de laticínios, além de estudo religioso, música, física e química. No lugar denominado Brejo havia um campo experimental agrícola mantido pelo Estabelecimento. Em 1884 recebeu tentativa de reforma por parte do Governo Imperial.
Em 1887, e com o aumento considerável da população, elevou-se, o povoado sede do Estabelecimento à categoria de vila, com o nome de Vila da Colônia, por força da resolução nº 2, de 19 de junho 1890, transferindo para ela a oficialidade da Vila da Manga. Por força da resolução mencionada, a nova Vila ficou pertencendo à jurisdição civil e criminal da comarca de Jerumenha, sendo seu termo um distrito de paz.
Poucos dias depois, a resolução nº 3, de 26 de junho de 1890, desmembrou o termo da Colônia da Comarca de Jerumenha, para a formação de uma nova comarca com denominação de Colônia, assim ficando até 1892, quando, pela lei 18, de 12 de dezembro do mesmo ano, foi cassada sua autonomia judiciária, passando a seu termo a integrar a comarca de Amarante. A lei nº 67, de 25 de setembro 1895, extinguiu a vila e o Município.
Em 18 de junho de 1895 era restabelecida a autonomia da vila e do Município com os seus primitivos limites, voltando o termo judiciário, ainda, a pertencer à comarca de Amarante. A lei 144, e 8 de julho de 1897, elevou a Vila da Colônia à categoria de cidade, com a denominação de Cidade Floriano, homenagem ao “Marechal de Ferro” Floriano Peixoto. A lei foi assinada pelo governador da Província do Piauí, Raimundo Artur de Vasconcelos.
POTENCIALIDADES
Herança histórica, a economia da cidade baseia-se fundamentalmente no setor terciário, mais precisamente o comércio e serviços, que contribuem com a maior parcela da renda gerada no município. Destaqque para os serviços nas áreas da Educação e Saúde. O rio Parnaíba, que lhe margeia, já foi muito importante nessa vocação comercial que atraiu gente de vários lugares do mundo, especialmente os libaneses e sírios, cuja presença está marcante na cultura e culinária do município.
A Princesa do Sul tem uma reconhecida tradição no setor educacional, tornando-se um ponto de encontro da população vinda do interior à procura de trabalho, estudo e de atividades comerciais, o que a consolidou como grande centro comercial e educacional do sul do Piauí.
Hoje, a Princesa do Sul está entre as maiores cidades do Piauí em população e área urbana. Segundo o Censo 2022, Floriano possui cerca de 62.036 habitantes. Sua área territorial representa 3.407,979km², com a densidade demográfica de 18,20hab/km².
A cidade conquistou sua condição de Portal de entrada do Sul e Sudeste do Piauí – exercendo forte influência em 25 municípios piauienses e maranhenses que se desenvolvem em torno, a exemplo de Amarante, Barão de Grajaú, Canto do Buriti, Colônia do Piauí, Conceição de Canindé, Francisco Ayres, Guadalupe, Itaueira, Jerumenha, Nazaré, Oeiras, Simplício Mendes, etc. Toda essa macrorregião centrada em Floriano apresenta um grande potencial de desenvolvimento para o estado.
POLO EDUCACIONAL
Atualmente, a sociedade florianense – e dos municípios circunvizinhos supracitados – conta com várias instituições de ensino técnico e superior que abrangem as mais variadas áreas de formação: Universidade Federal do Piauí (UFPI), Instituto Federal do Piauí (IFPI), Universidade Estadual do Piauí (UESPI), Faculdade de Floriano (FAESF) e Centro Estadual de Educação Profissional (CEEP) Calisto Lobo. Tais instituições oferecem os cursos superiores de Ciência da Computação, Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Direito, Enfermagem, Odontologia, Fisioterapia, Administração, Ciências Contábeis, Biologia, Pedagogia, Letras, Matemática, Farmácia, Engenharia Civil, assim como diversos cursos técnicos na Rede de Ensino.
CULTURA
Todo piaueinse já ouviu falar no marcante Carnaval de Floriano. A festividade é considerada uma das mais tradicionais e animadas do Piauí. Já na Semana Santa é realizada uma grande montagem do espetáculo da Paixão de Cristo com atores de renome nacional, no segundo maior teatro a céu aberto do país, reunindo milhares de pessoas ao longo dos mais de 20 anos de espetáculo. Sob a organização do Grupo Escalet, a Paixão de Cristo de Floriano se consolidou como uma das maiores encenações do Brasil, atraindo público de diferentes regiões.
TURISMO
Com tantos encantos e tradições culturais a Princesa do Sul tem se consolidado como potência para o turismo. Além das belezas naturais, banhadas pelas águas do Rio Parnaíba, a cidade também se destaca como destino para o Turismo Religioso.
Em 2023, o Piauí passsou a contar com um Roteiro de Fé e Tradições Religiosas instituído através da Lei nº 7.973, de 23 de fevereiro de 2023. O Roteiro da Fé e Tradições Religiosas tem como objetivos estimular a visitação pública dos municípios e preservar a cultura das atividades religiosas no estado do Piauí; contribuir para a preservação do patrimônio natural e valorização da cultura e dos eventos religiosos; favorecer o desenvolvimento dos arranjos produtivos locais e a movimentação da economia dos municípios; promover a educação ambiental, mobilidade e de acessibilidade e proteção animal; fomentar o turismo, esporte e a cultura; e resgatar e preservar patrimônio histórico religioso e monumentos.
Ao todo 13 municípios Integram o Roteiro da Fé e Tradições Religiosas do estado; Floriano está entre os municípios.
O Rota 343 parabeniza Floriano pelos 126 anos e convida todos os florianenses a celebrarem as potencialidades da nossa querida Princesa do Sul. Que os próximos anos sejam de ainda mais desenvolvimento, para que nosso comércio, cultura, e tradição permaneçam progredindo.