Arquivo Pessoal

Mozaniel Almeida

Piauiense de coração e alma, contador de causos por vocação e técnico em Agrimensura por formação. Vive em Aracaju desde 1989, onde segue espalhando seu bom humor e amor pela terra natal. Autor do livro É Causo? Deixa que eu conto, também participou de obras coletivas. Não é poeta nem filósofo — é só um cabra arretado que gosta de contar histórias.

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Tu sabes falar Português?

Tu sabes falar Português?
Tu sabes falar Português? (Foto: Gerado por IA)

    Um dos meus genros foi para Portugal fazer doutorado, na Universidade Beira Interior, mais precisamente no distrito de Castelo Branco. 

    Por pura brincadeira, quando ele já estava lá, lhe perguntei: 

    – Tu sabes falar Português?

    Sorrindo, ele respondeu que estava se virando.

    O que poderia ser uma gozação, na verdade não o era. Embora hoje haja uma conformidade ortográfica entre os países de Língua Portuguesa, torna-se impossível uma harmonia na fonética e nos termos. Temos palavras homógrafas e não são poucas. 

    Ora, se no Brasil temos nossos regionalismos e sotaques, que só são notados, quando penetramos noutro estado, imaginemos, então, a diferença do falar entre brasileiros e lusitanos, separados pelo Atlântico e há séculos de distância. Vernáculos novos são adicionados constantemente nos dois idiomas, sem que penetrem nos irmãos distantes.

    Nós chamamos de “impostos” os tributos que o governo nos impinge, porque, de fato, é imposto. Pagamos obrigado e, pelo menos, um desses é descontado em folha de pagamento, sem comiseração, choro ou vela (IR). 

    Pois bem, em Portugal, impostos são chamados de PROPINA. Quanta ironia! Sim, em Portugal, a propina é oficializada.

    Imagine, então, você sendo homem, cabra macho da peste, da venta furada, criado no mororó cinzento, chegando em casa e encontrando sua mulher de cueca, colocando lixívia na canga. Certamente não entenderia “nadica” de pitibiribas!

    Algumas palavras, à primeira vista, podem ser tomadas como ofensivas ou desconhecidas. Criançada ou meninada eles chamam de canalhada ou putalhada. Isso cá no Brasil resultaria até em morte.

    Vejam outros exemplos:

Brasil                                Lusitano

  👇.                                     👇

Trem...................................... comboio

Cigarro.................................... tabaco

Pedestre................................... peão

Placa de carro........................... matrícula

Mamadeira.................................. biberão

Água sanitária............................ lixívia

Calcinha feminina...................... cueca

Jeans......................................... canga

Abobrinhas................................ courgetes

Pizza.......................................... piza

Chopp......................................... imperial

Linguiça................................... enchidos

    Isso é apenas uma pequenina amostra grátis, porque a lista é imensa e, por especial obséquio, não se escandalizem pelo que direi em seguida.

    Não faz muito tempo, um ritmo de dança e música afro-lusitana fez muito sucesso no Brasil, mais pela nomenclatura que pela obra em si. “Cu duro. ”Muita gente dançou ou pulou, pela malícia que, nem de longe, existia na origem. Os lusitanos usam o nome técnico ânus para o substantivo em questão. Não conhecendo nosso circunlóquio “bumbum” ou bunda, chamam-no, simplesmente, de “cu”. 

    Para completar:

Brasil.......................................... Portugal

👇.                                             👇

Pica................................................. pênis

Orgasmo........................................... estar-se a vir

Tesão................................................ tusa

AIDS................................................. sida 

Injeção............... .............................. pica (V. picar)

Câncer.............................................. cancro

Bunda............................................... cu

Bicha, gay......................................... paneleiro

    Para um brasileiro, é muito mais cômodo aprender Inglês ou qualquer outro idioma, que se adaptar a essas mudanças repentinas. 

    Na década de 70, um brasileiro, em visita a Portugal, resolveu facilitar nossas vidas, editando um Dicionário de Português para Brasileiros. Isso depois de passar por uma situação de desespero num dos hospitais da cidade onde se encontrava.

    O rapaz ou “puto” (como se chamam lá) estando hospitalizado, começou a sentir-se incomodado e, ao chamar uma atendente, ouviu dela a seguinte sentença: 

    – Calma! Vou chamar o enfermeiro para lhe meter uma pica no cu!

    Foi um santo remédio! O puto, que já estava puto da vida, levantou-se e saiu desesperado por nada. Na verdade, a moça ia chamar o enfermeiro para lhe aplicar uma injeção no bumbum.

    Muito mais complicado ou atraente para um brasileiro devasso seria participar da Feira da Foda. Mas cuidado, não se apresse. Na região do Alto Minho (Rio Minho), na Vila de Monção do Distrito de Viana do Castelo, existe um festival gastronômico famoso. “Foda” é cordeiro assado no bafo, carne de especial sabor.

    Cuidei de passar algumas dicas ao meu genro:

    – Arley, filho meu, tu sabes falar Português lusitano?

    – Seu Moza, estou me virando!...

    – Cuidado! Evita hospitais...

    – Kkkkkkkkkkkkkk... estou ligado!

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