Silêncio

Toc, toc, toc, prega o prego o sapateiro,
Com cuidado arrumando o sapato,
Suas batidas são como um boato,
Espalhando-se pelo bairro inteiro.
.
Rak, rak, rak, serra o ferro o serralheiro,
Que produz barulho muito chato,
Mas não despreza seu desiderato,
E imita na gaiola o outro ferreiro.
.
Rock, rock, rock, canta o sapo ali no mangue,
Aborrece e não quer que eu me zangue,
Com a repetição do dialeto.
.
Dependo eu do silêncio no momento,
Para forjar na forja o pensamento,
Destes quatorze versos do soneto.
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