Rio Cubango

Meu caminho é tão reto quando um rio,
Que vai tergiversando entre as montanhas,
Driblando cada dor pelas entranhas,
Tantas vezes contrário ao alvedrio.
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Trêmulo o coração, na mente um fio
D'esperança a correr rotas estranhas,
Indo em destino tordo e vãs façanhas,
Por ravinas de pios e arrepio.
.
Não sabe seu destido o rio, não sabe!
Vai no deserto igual um camelo árabe...
Igulamente não sei por onde eu vou.
.
Como um rio que segue para o mar,
Sigo eu a tua procura para amar,
Quiçá morra eu igual o Okavango.
Nota:
O Rio Cubango é endorreico. Salvo engano, nasce no Morro Moco em Angola, onde tem seu maior curso. Impressiona o fato de não correr em direção ao Oceano Atlântico Sul e sim para o interior da África. Serve de fronteira natural entre Angola e Namíbia por um certo período e depois atravessa esse último país na Faixa de Caprive, que tem 30 m de largura e adentra em Botsuana onde se passa a chamar Rio Okavango. Percorrendo uma grande planicie acaba morrendo num delta sem atingir mar algum, nem baía, golfo e muito distante do Oceano Índico. Ao que se imagina, sem atingir o fim comum, muito embora dê vida ao deserto onde se acaba.
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