Arquivo Pessoal

Mozaniel Almeida

Piauiense de coração e alma, contador de causos por vocação e técnico em Agrimensura por formação. Vive em Aracaju desde 1989, onde segue espalhando seu bom humor e amor pela terra natal. Autor do livro É Causo? Deixa que eu conto, também participou de obras coletivas. Não é poeta nem filósofo — é só um cabra arretado que gosta de contar histórias.

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Que se dane o mundo

Que se dane o mundo
Que se dane o mundo (Foto: Gerado por IA)

Pode faltar no mundo o que quiser,

Carroça, jegue, trem, motocicleta,

Canoagem, basquete, falte atleta,

Palito japonês, garfo, colher,

Pode acabar tudo isso e recolher,

Que pra mim nada disso fará falta,

Minha autoestima sempre estará alta,

Mas que sobre torresmo e rapadura,

Farinha na coité, manga madura,

Doce de buriti, forró, mulher.

  Pode acabar o mundo e o cão cotó,

  Que se desmanche em bombas ou trovão,

  Não falte caipirinha com limão,

  Que não sou de ficar com rococó,

  Saci se vira numa perna só,

   Dispenso o Guarujá e o tríplex,

   Falte caderno, lápis, durex,

   Mas abunde cuscuz, ovo, cerveja,

   Mel, garapa de cana na bandeja,

   Mulher bonita pra dançar forró.

  Sei que o mundo foi feito pra quem pode,

  Nem todo prato pode ter filé,

  Sem ônibus, sei andar a pé,

  Que me levem a barba e o bigode,

  Quem pode, pode; então que se acomode,

  Que se lasque o metrô, falte energia,

  Não estou em ai, sobre poesia,

  Haja sempre boa prosa e buchada,

  Macaxeira, pirão e panelada,

   Sobre beijo, beiju, carne de bode.

 A terra teve origem na explosão,

 Num tal Big Bem ou coisa igual,

 Nasceu o Brasil do Monte Pascoal,

 Mas isso não me avexa o coração,

 Não me lixo se foi de pé ou mão,

 A bronca que anulou aquele gol.

  Pode acabar com o blues e rock n roll,

  Mas tenha água de coco, arroz capote,

  Paçoca e um bom fungado no cangote

  Da mulher a dançar xote e baião.

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