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No Radar

João Batista de Araújo da Cruz: Com uma sólida formação acadêmica em Matemática e especializações em Matemática Financeira e Estatística Aplicada em Negócios,o professor João Batista promove análise política e econômica do Piauí e do Brasil.

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Piauí bate recorde de exportação, mas precisa agregar mais valor

Se nada mudar, Piauí exportará riqueza bruta e importará industrializados caros
exportação do Piaui bate record
exportação do Piaui bate record (Foto: META IA)

O Piauí tem muitos motivos para se orgulhar. O estado, antes marginalizado no comércio exterior, agora se destaca como um exportador de peso no agronegócio e na mineração. O crescimento da balança comercial em 2024 é um sinal claro de que a economia piauiense está avançando, conquistando mercados e fortalecendo suas receitas. Empresas locais estão expandindo suas operações, gerando empregos e movimentando a economia. Mas será que essa onda de crescimento é tão sólida quanto parece? O desafio agora não é apenas exportar mais, mas exportar melhor, garantindo que o desenvolvimento seja sustentável e resistente às oscilações do mercado global.

Os números comprovam essa ascensão. De acordo com o Centro de Pesquisas Econômicas e Sociais do Piauí (CEPRO), utilizando dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações piauienses saltaram de R$ 3,8 bilhõesem 2020 para R$ 6,8 bilhões em 2024. O estado exportou um total de3,7 milhões de toneladas de produtos, sendo que   62%desse volume foi destinado à   China,7,1% para a Espanha e  2,4% para os Estados Unidos. A soja lidera o ranking das exportações, seguida por milho, ferro e manganês. O superávit comercial cresceu significativamente, o que demonstra a baixa dependência de importações e reforça a força produtiva do Piauí.

Mas há um problema evidente. A economia do estado continua presa a um modelo primário-exportador, onde as riquezas naturais são enviadas ao exterior praticamente sem beneficiamento. Essa dependência de commodities torna o Piauí vulnerável a crises internacionais e variações bruscas de preço. Em 2022, por exemplo, a tonelada de soja era vendida a R$ 2.000, mas caiu paraR$ 1.550 em 2023, afetando diretamente os produtores locais. O mesmo ocorreu com o minério de ferro, cuja cotação no mercado global oscilou mais de 30% nos últimos três anos. Sem um setor industrial sólido, o estado perde a oportunidade de agregar valor às suas riquezas e gerar mais empregos qualificados.

O caminho para um futuro mais robusto passa pela industrialização. A transformação da soja em óleo e farelo, a fabricação de biocombustíveis e o beneficiamento de minérios são algumas das soluções para fortalecer a economia local. Além disso, setores como energia renovável, turismo ecológico e tecnologia precisam ser explorados. Um exemplo positivo vem da Chapada do Araripe, onde projetos de energia eólica vêm ganhando força e atraindo investimentos. O Piauí precisa se posicionar como um estado que não apenas fornece matéria-prima, mas que também fabrica produtos de alto valor agregado.

Se nada mudar, o destino do Piauí será continuar exportando riquezas e importando produtos industrializados por preços muito maiores. Será que o estado quer ser apenas um "celeiro" para o mundo, ou deseja se tornar um verdadeiro polo econômico? Enquanto depender exclusivamente do agronegócio e da mineração, o Piauí seguirá à mercê das oscilações do mercado internacional, vendo suas riquezas partirem sem que a população local aproveite os verdadeiros benefícios. Afinal, de que adianta produzir tanto se os empregos de qualidade e os lucros ficam para os outros?

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