Pão de gaveta

Velho pão esquecido na gaveta,
Resto de um lanche outrora saboroso,
Num dia de fartura e venturoso,
Onde nem toda farra se aproveita.
.
Mas a fome também é de veneta
E aparece em um dia tenebroso,
E aquele duro pão, ora crostoso,
Decerto porá fim na fome inquieta.
.
Igualmente, há amores esquecidos
Nalguma escuridão endurecidos,
Pela morosidade da ampulheta.
.
Vem a solidão, falta-lhe o calor,
Resta-lhe resgatar um velho amor,
Que padecia no fundo da gaveta.
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