Arquivo Pessoal

Mozaniel Almeida

Piauiense de coração e alma, contador de causos por vocação e técnico em Agrimensura por formação. Vive em Aracaju desde 1989, onde segue espalhando seu bom humor e amor pela terra natal. Autor do livro É Causo? Deixa que eu conto, também participou de obras coletivas. Não é poeta nem filósofo — é só um cabra arretado que gosta de contar histórias.

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Os leiteiros

Os leiteiros
Os leiteiros (Foto: Gerado por IA)

    Para quem não conhece Teresina, é uma cidade banhada por dois rios: O Paranaíba que serve de fronteira com a cidade maranhense de Timon e o Poty que corta a cidade ao meio no comprimento.

    Houve um tempo em que não tínhamos os sacos plásticos de leite pasteurizados, que também já não existem mais, pelo menos em Aracaju. O leite era vendido de porta em porta “in natura”, do jeitinho que saia do peito da vaca. Transportados em latões de metal. Normalmente as vacarias ficavam nos bairros afastados e o grande problema era a desconfiança nos leiteiros, não raros, acusados de adicionar água ao leite para aumentar seus lucros. As anedotas eram as mais variadas. Dizia-se que vacaria “A” vendia água com leite. Que no leite da vacaria “B” já se encontrara piabas e até tucunarés...

    Conta-se que certa vez, dois leiteiros cruzavam a Ponte Juscelino Kubitscheck, que liga a Zona Leste ao centro, sobre o Rio Poty, ao lombo de suas bicicletas, quando um desses observando o rio transbordando devido o rigoroso inverno, comentou com o parceiro:

    - Você já pensou compadre, se tudo isso ai fosse leite pra nós vender? Nós iriamos ficar rico, “nera” não?

    O outro tomado de surpresa com tamanho disparate, retrucou:

    - Ocê tá louco compadre? Onde nois ia arranjar tanta água pra botar nesse leite?

    São coisas de minha terra.

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