O Tempo

É ácido tácito que corrói a vida
Ou quem quiser que habite nesta cercania,
A nada se detém e nesta correria,
Nenhum segundo fica sem a sua lida.
Mesmo uma grande mágoa é esquecida,
No tic tac atropela o amor e tirania,
Não fica pedra sob pedra da fantasia,
Desta realidade, aqui, ninguém duvida.
O tempo desconhece a cirurgia plástica,
A sua complacência é cada vez mais drástica,
Sem quase circunstância ou circunstância e meia…
É inútil o artifício de qualquer disfarce,
Com o tempo, de rugas fica cheia a face,
E a alma de cicatrizes vai ficando cheia.
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