O Tarifaço já começou — mas Brasília ainda está em reunião
Haddad propõe crédito emergencial, mas mercado já sangra US$ 7 bi
Enquanto Washington carrega no imposto, Brasília responde com powerpoints e promessas. A tarifa de 50% dos EUA sobre produtos brasileiros é um meteoro anunciado — e o governo Lula, ao que tudo indica, preferiu olhar pro céu, rezar pra passar de lado e convocar um comitê. Emergencial, claro. Como tudo que ninguém planeja.
Fernando Haddad, com sua placidez monetária, ensaiou um combo: crédito emergencial, apoio a empresários e... esperar. Isso mesmo: esperar pra ver se dá ruim. Enquanto isso, bilhões de dólares fogem do país, bancos se posicionam como quem se protege de tempestade, e o agronegócio assiste à cena com a cara de quem pediu filé e recebeu salsicha.
O câmbio já sentiu o baque. Até 23 de julho, o Brasil já sangrava mais de 7 bilhões em saídas financeiras — e os bancos, ah, esses sabem das coisas: estão vendidos em US$ 26,7 bilhões, um sinal de que apostam na valorização do dólar. Alguém aí viu o Banco Central? Deve estar atrás de um hedge espiritual com Copom.
No campo diplomático, a reação foi digna de um filme de comédia romântica: “Não faz isso, Joe, a gente é parceiro!”. Só faltou o Brasil mandar flores. A verdade é que não houve ação séria na OMC, nem costura política global para barrar a medida. E agora, corremos pra buscar novos mercados em cima da hora, como quem perde o voo e tenta remar até a Europa.
Mas há esperança! Sempre há. O governo estuda adiar tributos, abrir linhas de crédito (com juros "baixos") e até montar feiras comerciais em lugares que nunca ouviram falar da nossa castanha. É o “Plano Safra do Desespero”, com pitadas de improviso e cheiro de retrabalho. Enquanto isso, a Fiesp segue batendo palmas — ou batendo cabeça.
Não que os empresários estejam calados. Estão gritando, mas em português, que Washington não entende. Pedem previsibilidade, proteção e — principalmente — que o governo saiba em que mundo vive. Mas Brasília, como sempre, mistura diplomacia com feijoada e acha que tudo se resolve com um grupo de WhatsApp interministerial.
No fundo, o Brasil age como aquele aluno que deixa o trabalho pra véspera: corre, imprime errado, chega suando, mas jura que estava tudo sob controle. Dia 1º de agosto vai ser a entrega do boletim — e, pelo visto, o nosso governo esqueceu o estojo, perdeu o livro e ainda não entendeu que o professor agora cobra em dólar.
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