Arquivo Pessoal

No Radar

João Batista de Araújo da Cruz: Com uma sólida formação acadêmica em Matemática e especializações em Matemática Financeira e Estatística Aplicada em Negócios,o professor João Batista promove análise política e econômica do Piauí e do Brasil.

👁️ 215.839 visualizações totais | 📝 464 postagens publicadas

O Tarifaço já começou — mas Brasília ainda está em reunião

Haddad propõe crédito emergencial, mas mercado já sangra US$ 7 bi
Resumo - EUA taxam Brasil em 50% e governo Lula reage com comitê e promessas. Haddad propõe crédito e espera, enquanto o dólar sobe, bilhões fogem e o agro se desespera. Diplomacia falha, empresários gritam, e Brasília imprime o trabalho na véspera.

Enquanto Washington carrega no imposto, Brasília responde com powerpoints e promessas. A tarifa de 50% dos EUA sobre produtos brasileiros é um meteoro anunciado — e o governo Lula, ao que tudo indica, preferiu olhar pro céu, rezar pra passar de lado e convocar um comitê. Emergencial, claro. Como tudo que ninguém planeja.

Fernando Haddad, com sua placidez monetária, ensaiou um combo: crédito emergencial, apoio a empresários e... esperar. Isso mesmo: esperar pra ver se dá ruim. Enquanto isso, bilhões de dólares fogem do país, bancos se posicionam como quem se protege de tempestade, e o agronegócio assiste à cena com a cara de quem pediu filé e recebeu salsicha.

O câmbio já sentiu o baque. Até 23 de julho, o Brasil já sangrava mais de 7 bilhões em saídas financeiras — e os bancos, ah, esses sabem das coisas: estão vendidos em US$ 26,7 bilhões, um sinal de que apostam na valorização do dólar. Alguém aí viu o Banco Central? Deve estar atrás de um hedge espiritual com Copom.

No campo diplomático, a reação foi digna de um filme de comédia romântica: “Não faz isso, Joe, a gente é parceiro!”. Só faltou o Brasil mandar flores. A verdade é que não houve ação séria na OMC, nem costura política global para barrar a medida. E agora, corremos pra buscar novos mercados em cima da hora, como quem perde o voo e tenta remar até a Europa.

Mas há esperança! Sempre há. O governo estuda adiar tributos, abrir linhas de crédito (com juros "baixos") e até montar feiras comerciais em lugares que nunca ouviram falar da nossa castanha. É o “Plano Safra do Desespero”, com pitadas de improviso e cheiro de retrabalho. Enquanto isso, a Fiesp segue batendo palmas — ou batendo cabeça.

Não que os empresários estejam calados. Estão gritando, mas em português, que Washington não entende. Pedem previsibilidade, proteção e — principalmente — que o governo saiba em que mundo vive. Mas Brasília, como sempre, mistura diplomacia com feijoada e acha que tudo se resolve com um grupo de WhatsApp interministerial.

No fundo, o Brasil age como aquele aluno que deixa o trabalho pra véspera: corre, imprime errado, chega suando, mas jura que estava tudo sob controle. Dia 1º de agosto vai ser a entrega do boletim — e, pelo visto, o nosso governo esqueceu o estojo, perdeu o livro e ainda não entendeu que o professor agora cobra em dólar.

Confira outros artigos do blog No Radar

Os blogueiros são responsáveis pelos seus próprios textos, a linha partidária e linguística do autor não condiz necessariamente com a do portal ROTA343. Cada colunista tem liberdade para escrever, respeitando os direitos, deveres e regras de cordialidade exigidas pela empresa.

Divulgue seu negócio e venha fazer sucesso junto com o ROTA343. Clique aqui e entre em contato conosco!

Gostou? Compartilhe!