O pilão

É um ser esquisito meu velho pilão,
Tendo uma anatomia e vida controversa,
Com duas bocas, cada uma em face adversa,
Sendo uma pra cima e outra apoiada no chão.
.
Desligada do corpo encontra-se a mão,
Em torno de si, muita fiada conversa,
“Dorme” co’a mão na boca, ou posta de travessa,
Tem os dentes nos beiços… é assombração!
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Pila-se no pilão torresmos e café,
Carnes para uma boa paçoca e o que tiver,
Milho para o cuscuz e o arroz para o feijão,
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Tenho eu no peito um desses raros exemplares,
Pila saudades, moe ilusões aos milhares,
Na batucada célere do coração.
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