Arquivo Pessoal

Mozaniel Almeida

Piauiense de coração e alma, contador de causos por vocação e técnico em Agrimensura por formação. Vive em Aracaju desde 1989, onde segue espalhando seu bom humor e amor pela terra natal. Autor do livro É Causo? Deixa que eu conto, também participou de obras coletivas. Não é poeta nem filósofo — é só um cabra arretado que gosta de contar histórias.

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O pau que dá em Chico, dá em Francisco.

O pau que dá em Chico, dá em Francisco.
O pau que dá em Chico, dá em Francisco. (Foto: Gerado por IA)

O pau que dá em Raimundo dá em Mundico.

    Eu tive a felicidade de ter vizinhos apenas dos lados de minha casa. Toda a minha rua, só tem casas do lado esquerdo. Na área da frente, existe o que se convencionou chamar de APP, área de preservação permanente. Resumindo: é uma terreno alagado que circunda o conjunto habitacional, pertencente à Marinha do Brasil, muito embora, nunca tenha aparecido por aqui algum Capitão dos Portos ou sequer, um marinheiro para ver seu patrimônio.

Como a Marinha não liga, cada morador assumiu para si, por conta e risco, a área de frente a sua casa, inclusive eu. 

    Assim, plantei mangueiras, bananeiras, limoeiro, plantas medicinais. A mangueira e as bananeiras já pagaram o investimento. Eu mantenho o terreno sempre limpo e em aberto, ainda que os outros moradores tenham cercado o que dizem ser seus.

    Ontem, aconteceu-me um acidente nada agradável, quando fui plantar uma muda de acerola. Ao afastar uma moita de capim sem usar luvas, fui picado por uma cobra verde e fina. Acho que foi do tipo conhecido como “cobra de cipó”. Pelas características, é da espécie não peçonhenta. Venenosa ou não, o cabra pode morrer até do susto. A bicha era atrevida. Picou-me e ficou em posição de um novo ataque, por gauchada, ainda debochando de mim, fazendo a dança do ventre e batendo pestana, como quem me dissesse: vem magrelo!

    O que ela não sabia era que eu já tinha enfrentado de cascavel a caninana, de jararaca a saramanta, de jaracuçu a boipeva. As que não correram, morreram. Sem contar que eu tenho uma medalha de São Bento.

    Eu com a mão direita sangrando e irado até a alma, parti pra dentro! Levei a mão esquerda por cima, pelo seu lado direito e lentamente, fui aproximando. Quando ela fez o S do Senna e jogou o bote, com a mão direita ataquei. Segurando-a pelo pescoço, em seguida, lhe taquei uma dentada com toda a minha força na cabeça e lhe arranquei um pedaço da orelha. Fiz igual ao Mike Tyson quando lutou contra o Evander Holyfield. Depois disso, soltei-a no mato e ela saiu rápida como um raio, gritando: Kd minha mãããããe!

   Isso foi ontem à tarde. Hoje, meu dedo anelar amanheceu dolorido e inchado. Terei que ir à urgência médica. Se for necessário tomar injeção intramuscular, eu mesmo pegarei a seringa, aplicarei e venho embora.

    O pau que dá em Antônio, dá em Tonico e na luta entre dois magrelos, eu sou mais eu. 

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