O Cabeça de Cuia

Crer nesta lenda tão mal contada eu não cria,
Suas contradições eram de tal afronta,
Sem algum similar, pois conto algum conta
Que ao "comer" sete virgens, salvação teria.
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Mas p'ra tudo na vida tem, por certo, o dia,
Onde a verdade surge e a dúvida desmonta...
No Porto do Granjeira, zona sul, na ponta
Da coroa, à noitinha, numa pescaria.
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Foi numa sexta-feira treze, mês de agosto
De mil e novecentos e sessenta e cinco,
Que o pavor assomava-me lívido o rosto.
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Eu via apavorado sob um pé de imbúia,
Que n'água, um bicho enorme e plúmbeo como o zinco,
Era feio, dentuço e a cabeça de cuia.
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