NÃO ME VEJO

NÃO ME VEJO.
José Osório Filho
Estou aqui, mas não me vejo presente no corpo; sou ausente no coração, uma sombra de mim é o reflexo vazio de uma emoção, perdido em um mundo sem direção.
Meus passos ecoam no silêncio de minha voz, um sussurro no mundo desgovernado em meio aos alienados. No entanto, não consigo enxergar uma só alma que sinta, e, se alguém sente como eu, não consegue se expressar; vejo uma só população que vive sem enxergar e meditar.
Neste lugar estranho e familiar, perco-me em mim, sem nada encontrar; busco um sentido, uma razão para viver na ausência da solidão de outro ser.
Mesmo ausente, ainda respiro, e no silêncio sinto um delírio; talvez, um dia eu me encontre neste universo infinito, entre ser e não ser, na dualidade da presença eu vou viver. Sou brisa que toca sem sentir ou ver, no passado, presente e futuro. Sou parte de outro ser, uma energia cósmica que vive sem viver.
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