Morreu Maria Preá

Leniência, tolerância, abrandando, indulgência, condescendência, o diabo que o carregue ou qualquer outro verbete que se use com essa finalidade, fica nítido e ululante que já estamos cavando além do fundo do poço e o mais grave é que quase ninguém sabe.
Quem nasceu até a década de 1960, pode ser tido como troglodita, brucutu ou bicho das cavernas. Era uma época marcada pelo respeito, tanto pelo indivíduo como pelo espaço. Tempo em que os filhos respeitavam não somente os idosos, pois isso não se discutia, mas respeito a todos. Criança “saliente", que se metesse a pronunciar uma "imoralidade “, não ficaria sem o merecido castigo.
Os filme exibidos nos cinemas, mesmo os românticos como “E o vento levou”, não tinham cenas picantes e os beijos na boca, os lábios se tocavam levemente.
Lá por 1959, apareceu uma atriz francesa muito bonita e que veio a se tornar famosa pelas películas em que fora protagonista única. Brigitte Bardot apareceu em muitos filmes com censura até 18 anos e os cinemas ficavam lotados em todas as seções. Logo, ela passou a ser vista como precursora da libertação feminina. Seria uma “empoderada”, mesmo que naquele tempo, não existisse tal palavra. Como se isso fosse pouco, ela teve um filho de nome Nicolas-Jacques-Charrier, logo rejeitado e entregue para ser criado pelos avós, pois não tinha nem cacoete de mãe. Era a libertação das mulheres.
Brigitte Bardot encerrou a carreira de atriz muito nova, dedicando-se a cuidar de animais. Morreu ontem, dia 28/12/2025, deixando a bagatela de US$ 65 milhões e um filho abandonado.
Esse foi o início da derrocada de uma sociedade permissiva e promíscua. Se hoje, nos cruzamentos das ruas, temos crianças abandonadas, frutos de paternidades irresponsáveis, não surgiram a reboque do acaso. Se temos jovens agressivos, assaltando, livremente, nas praças e ruas, certos de que não serão molestados, deve-se, em parte, pelo incentivo do próprio presidente da República das Bananas.
Tudo o que era escandaloso na década de 1960, hoje, é trivialidade. Não tem uma só menina de 13 anos de idade, morando no interior, que não saiba mais de sexo que eu. Não só sabe como executa com extrema desenvoltura.
Toda essa lascívia, desregramentos, falta de pudor, foi empurrando de garganta a baixo sob os argumentos de contrapor ao falso moralismo, do conservadorismo arcaico e em prol da evolução dos tempos. Sou dono das minhas ventas e ninguém paga as minhas contas.
Alguém lembra da expressão: prendam suas cabritas que o meu bode está solto? Pois é, daí nasceram muitos machos e poucos homens para contrabalancear a desgraça.
Não estou insinuando que Brigitte Bardot foi a causa e sim um dos exemplares e exemplos.
Eu estava trabalhando em Jandaira-BA. quando, certa tarde, por volta de 16 horas, à porta de uma casa, ao meu lado, conversavam um casal adulto e irmãos. Com eles, um garoto de, aproximadamente, cinco anos, filho da senhora e sobrinho do outro.
Nisso, o irmão da mulher apontando para o final da rua, disse ao ver o marido da irmã e pai do menino:
- Olha quem vem acolá!
O primeiro a falar foi o garoto:
- E esse corno, agora, deu para chegar cedo em casa?!
Para minha surpresa, tanto a mãe como o tio do menino soltaram as melhores gargalhadas que lhes foram possíveis. Parece que não se deram conta de que o insolente, a um só tempo, chamara o pai de chifrudo e a mãe de puta.
Eu, simplesmente, perguntei:
- Por favor, em qual cabaré esse menino estuda? Quero matricular o meu papagaio…
Ora, é óbvio que os três não gostaram da minha pergunta, mas engoliram seco.
É esse o estado de degradação que se propaga no Brasil.
O nível de descontração chegou a ponto de, em 2021, os desembargadores do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, São Paulo, debaterem por horas a fio, formalmente, sobre o uso da palavra f*d*, utilizado por um juiz substituto, conta uma desembargadora. Queriam descobrir se era elogio ou achincalho.
Como já foi dito: o buraco é mais embaixo.
Os filmes de Brigitte Bardot se exibidos hoje, não arrebanhariam dez pessoas por sessão.
Morreu Maria Preá e pelo visto, o palhaço sou eu.
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