Meu avô

Lembro-me ainda seu sotaque lusitano
E dos beijos macios que me dispensava,
Aquela cabeleira cheia, lisa e flava,
E também coração de bom samaritano.
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Contagiante! Entrava ano e saía ano,
Seu peito parecia-me uma funda aljava,
Onde boa quantidade de flechas guardava
E não as disparava a esmo ou por engano.
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Setas de um infindável e puro carinho,
Dele fluíam como fato comezinho,
Como a beleza rústica de um bangalô.
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E hoje, ao usufruir beijos dos meus netos,
Vejo-me arrebatado com tantos afetos
E sinto pelos não dados em meu avô.
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