Lula lidera no Piauí com apoio forte da memória dos programas sociais
Instituto GP1 divulga primeira pesquisa sobre as eleições de 2026 no Piauí
Se há um estado em que Lula pode dormir tranquilo quanto às eleições de 2026, esse estado se chama Piauí. De acordo com a nova pesquisa do Instituto GP1 divulgada em 10 de junho, o presidente mantém impressionantes 56,5% das intenções de voto no estado — número que sobe para 68,6% entre os votos válidos. E isso, veja bem, mesmo após um escândalo que afetou diretamente o bolso dos piauienses mais vulneráveis: os descontos não autorizados nas aposentadorias do INSS.
A Controladoria-Geral da União (CGU) divulgou um levantamento alarmante: de 19 municípios brasileiros onde mais de 60% dos beneficiários do INSS foram atingidos por descontos misteriosos, nove estão no Piauí. Sim, quase a metade da lista negra está no estado que, curiosamente — ou não — mais abraça a figura de Lula.
No município de Ribeiro Gonçalves, a situação é surreal: 65% dos aposentados tiveram descontos aplicados diretamente em seus benefícios, supostamente por “associações” ou “serviços” que eles nem sabiam que contrataram. A indignação? Moderada. A repercussão política? Praticamente nenhuma. O voto? Firme em Lula.
O fenômeno é quase místico. Para muitos eleitores, os bancos podem até tirar um pedaço do benefício, mas a esperança que Lula representa vale mais que o saldo da conta. A pesquisa mostra isso: 59,5% dos piauienses aprovam a gestão atual do Lula 3, e 46,5% avaliam o governo como “ótimo” ou “bom”. É como se o eleitor dissesse: 'levaram meu dinheiro, mas deixaram minha fé intacta...E isso muda tudo.'"
Não bastasse o apoio, Lula ainda surfa num mar de baixa rejeição. Apenas 21,8% dos piauienses dizem que não votariam nele de jeito nenhum, contra 49,7% que rejeitam Bolsonaro. Esse dado reforça a ideia de que o eleitor piauiense não mede o governo pelo Diário Oficial ou pelos relatórios da CGU, mas pelo simbolismo de um líder que, para eles, ‘olha para os pobres’.
Isso, claro, abre margem para críticas — especialmente dos que veem na repetição desse padrão um voto imune a fatos, números e, neste caso, até escândalos documentados. Mas seria injusto ignorar a raiz social e histórica desse comportamento: Lula construiu no Nordeste, e no Piauí especialmente, uma espécie de pacto emocional. E como todo pacto emocional, ele sobrevive mesmo quando a razão — ou vexame — recomenda rompimento.
Se nada mudar até lá, Lula deve ter uma projeção entre 65% e 70% dos votos válidos no Piauí em 2026, confirmando a supremacia petista local. A oposição, mesmo munida de constrangimentos administrativos, parece não conseguir romper a blindagem simbólica construída ao longo de duas décadas.
No fundo, o eleitor piauiense não ignora as denúncias — apenas prioriza outros critérios na hora de votar. Para muitos, a experiência acumulada dos programas sociais e a identificação histórica com o governo pesam mais do que escândalos pontuais. Em contextos de vulnerabilidade, a memória de políticas públicas eficazes se sobrepõe à desconfiança momentânea, moldando um voto que responde menos à conjuntura imediata e mais à trajetória percebida de inclusão e atenção social.
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