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No Radar

João Batista de Araújo da Cruz: Com uma sólida formação acadêmica em Matemática e especializações em Matemática Financeira e Estatística Aplicada em Negócios,o professor João Batista promove análise política e econômica do Piauí e do Brasil.

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Inflação e impostos: Peso maior sobre os mais pobres

Quem paga a conta da Inflação? A desigualdade tributária que penaliza os mais pobres
Inflação no Brasil.
Inflação no Brasil. (Foto: META IA)

O cenário econômico brasileiro de 2024 revela uma dura realidade: enquanto a inflação acumulada nos últimos 12 meses está em 4,76%, as famílias de baixa renda enfrentam um impacto muito maior. O peso dos preços dos itens essenciais, como alimentos e transporte, que dominam seus orçamentos, é amplificado por um sistema tributário regressivo, onde quem ganha menos acaba pagando proporcionalmente mais impostos.

O modelo tributário brasileiro é um dos mais desiguais do mundo. Enquanto os mais ricos têm parte significativa de seus rendimentos protegida por isenções ou regras fiscais brandas, os mais pobres são esmagados pela tributação indireta. ICMS, PIS, Cofins e outros impostos sobre o consumo tornam produtos básicos, como arroz, feijão e combustíveis, ainda mais inacessíveis para aqueles que já têm pouco. Não é à toa que a desigualdade de renda persiste como uma chaga aberta no país.

Adicionalmente, o reajuste salarial para quem vive com o mínimo — previsto para acompanhar a inflação com 5,01% ao longo do último ano — não alivia a situação. O salário cresce, mas mal cobre a corrosão do poder de compra, especialmente em um cenário onde os alimentos, que muitas vezes sobem acima do índice geral do IPCA, seguem como o principal gasto das famílias.

A previsão não é otimista: a manutenção desse modelo deve intensificar o endividamento da população de baixa renda, sufocando sua capacidade de consumo e, consequentemente, desacelerando a economia como um todo. Sem reformas estruturais, como a adoção de uma tributação mais progressiva, que priorize a renda e o patrimônio em vez do consumo, o Brasil continuará punindo aqueles que menos têm.

Por isso, políticas públicas como o Bolsa Família, ao garantir um mínimo para as famílias vulneráveis, são indispensáveis. No entanto, é preciso ir além. A reforma tributária deve ser uma prioridade, estabelecendo uma nova lógica onde a justiça fiscal seja central. Apenas assim será possível corrigir a histórica desigualdade que pesa sobre os ombros dos brasileiros mais pobres.

O Brasil precisa urgentemente de um pacto de equidade. A questão não é apenas econômica, mas profundamente ética: quem menos ganha não pode continuar sendo quem mais paga.

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