Arquivo Pessoal

Mozaniel Almeida

Piauiense de coração e alma, contador de causos por vocação e técnico em Agrimensura por formação. Vive em Aracaju desde 1989, onde segue espalhando seu bom humor e amor pela terra natal. Autor do livro É Causo? Deixa que eu conto, também participou de obras coletivas. Não é poeta nem filósofo — é só um cabra arretado que gosta de contar histórias.

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Homem ou macaco?

Homem ou macaco?
Homem ou macaco? (Foto: Gerado por IA)

    Mário Lúcio Duarte da Costa, o então goleiro do Santos Futebol Clube, tornou-se o personagem central, talvez, do caso de maior repercussão no Brasil de vítimas de xingamentos por parte de torcedores, em campo de futebol, numa partida realizada contra o Grêmio de Foot-ball Porto Alegrense, em 28 de agosto de 2014.

    Esses casos, infelizmente, se repetem com bastante frequência pelo mundo afora, especialmente na “Zoropa”, que se diz exemplo de tudo o que é bom.

    No caso acima, o goleiro se sentiu ofendido por uma torcedora do time local, que o chamou repetidas vezes de macaco. O mais interessante é que ninguém, ou quase ninguém, o conhecia pelo nome. Com total segurança, afirmo que a imprensa especializada o chama de Aranha. O atleta atendia por esse apelido sem se sentir constrangido.

    Então, qual será o preconceito que escancaradamente existe contra o macaco? 

    Um pouco antes, em 27 de abril do mesmo ano, um torcedor do Villarreal atirou uma banana no lateral brasileiro, Daniel Alves, que jogava no Barcelona. A reação do atleta foi imediata, que apanhou a banana e comeu-a, antes de cobrar o escanteio. Depois do jogo, ele comentou: 

    – Há onze anos estou na Espanha e há onze anos é assim. Temos que rir dessa gente atrasada.

    Entre o goleiro Mário Lúcio Duarte da Costa, que não se melindrava ao ser chamado de Aranha e o lateral Daniel Alves, que não deu bolas para quem o chamou de macaco, vemos duas reações diferentes, para, exatamente, o mesmo caso.

    As perguntas que faço são:

    1) Por onde anda a Associação Protetora dos Animais que não se manifesta? É lícito comparar o macaco ao homem? Não caberia um processo judicial por crime de simiofobia, ou cada qual mede seu oponente com a régua que lhe apraz? É justo e ético dizer que o goleiro tomou ou comeu um “frango ou um peru”? Por onde andam os defensores das aves? Não vi protesto algum dos vegetarianos e veganos.

    2) Por onde anda a Comissão Internacional dos Direitos do Homem, que não desenterra o Mr. Charles Robert Darwin e o enterra novamente na cadeia? Afinal de contas, foi ele quem começou essa treta, quando criou a Teoria da Evolução.

    A meu ver, o macaco não merece tamanho desrespeito, ao contrário, merece ampla defesa em qualquer tribunal, pois se ele tivesse consciência das injúrias que lhe atiram, certamente, não ficaria calado, diante dessa sociedade hipócrita, manhosa, dissimulada e cavilosa. 

    Também não se tem notícia de que o macaco, nem na sua mais extrema inquietação ou acesso de fúria, tenha se permitido ao destempero de chamar outro macaco de ‘homem’. Tenho certeza de que ele se envergonharia e não assumiria a paternidade de certos homens, especialmente, alguns jogadores de futebol, médicos, militares, magistrados, topógrafos e, mais especialmente ainda, políticos. 

    Ser-lhe-ia mais justo ser preso por não pagar pensão...

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