Eu

Deus quando me fez, fez fino risco
No chão e ordenou: Levanta e anda,
Corre, não terás tu contenda branda,
Bota um olho na onça, outro no aprisco.
.
Magricelo serás, igual chuvisco,
Mesmo que comas de um boi uma banda,
Comendo as rapaduras da quitanda,
Tudo não passará de um petisco.
.
E assim fui feito, d’ossos descarnados,
Comendo tudo até trilhos assados,
Ou um belo molho pardo de rochedo...
.
Mas nada disso adianta, sou espeto,
Sou igualmente magro tal graveto,
Que meu Kurumim* usa por brinquedo.
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