Eles estão aqui

Eles estão aqui
Eles estão aqui
Semana Santa de 2025. A maior parte de minha família foi para Miai de Cima, litoral de Alagoas, município de Coruripe, onde uma de minhas filhas tem uma “casa de temporada”.
Pela descrição oral, eu já sabia que o local era muito agradável. Miai de Cima é um vilarejo de pescadores, distante 11 km da sede do município. No decorrer da semana, nada acontece, mas sábado e domingo vira festa.
Além da praia plana, limpa, que ainda tem aspecto rústico, foi contemplada com a existência de um córrego que desemboca suavemente no oceano, conhecido por Riacho da Barrinha.
Antes da desembocadura, mas já encostando na praia, o riacho forma uma bacia hídrica de uns dez metros de largura e uma profundidade de 1,40m onde os visitantes se concentram.
Embora a água seja limpa no verão, o solo do riacho apresenta sentimentos escuros, inviabilizando uma visibilidade plena do fundo, para quem mergulha de olhos abertos como é o meu caso.
Você está curioso? Então, tome assento que lá vem causo…
Um dia, pela manhã, por volta das 10h, peguei meu neto Benício de nove anos pelo braço, dizendo:
- “Rumbora” ali, meu Kurumim, cabra da peste!
- Vamos a onde, meu vô?
Respondi que iríamos conhecer o tal riacho. De contra peso, levamos o irmão menor, de seis anos, Tarcísio, a quem eu chamo de Azougue, por motivos óbvios.
De fato, era tudo o que nós esperávamos que fosse. A água estava numa temperatura agradável e ao lado, na areia, uma casal com dois filhos pequenos vindos de Maceió.
Em um dado instante, embora fosse evidente quem venceria, fiz um desafio a meu neto, para ver quem de nós dois tinha mais fôlego para permanecer por mais tempo, debaixo d'água, sem respirar. O outro netinho brincava fora d'água.
Mergulhamos ao mesmo tempo, olhos abertos, a minha mão direita segurando a mão esquerda dele, deixando sobre nossas cabeças, uma lâmina d'água de 30 centímetros, talvez.
Nisso, o garoto deu uma puxada na minha mão e nós sentimos a um só tempo, algo como uma grande arraia transparente passando roçando as nossas pernas. Assustados, emergimos.
- O senhor viu, vô?
- Vi! Vamos mergulhar novamente.
- Era uma arraia?
- Não sabemos, mas iremos descobrir agora.
Nós sabíamos ou, pelo menos, eu tinha certeza que não era uma arraia. Era algo fora da realidade conhecida. Não estávamos com medo, mas o espetáculo era inimaginável.
Puxei o garoto para perto de mim e ficamos vendo aquilo se movimentando na velocidade de uma lesma. O troço (como vou dizer isso ?) tinha aspectos de uma nave aquática, com dois tripulantes sentados um de costas para o outro. Dois painéis com luzes foscas que não piscavam. Aquele aparelho tinha o formato de um grande chapéu, o centro do módulo era fixo, mas as abas se constituíam de dois anéis semelhantes a nossa moeda de R$ 1,00 que giravam em sentido contrário. Não me parecia metálico, mas como uma geleia consistente.
Nem posso imaginar que tipo de energia era usada para movimentar aquele aparelho silencioso, mas posso dizer que era algo muito poderoso, superior e não poluente e pela velocidade de fuga, não temos nada que se possa imaginar.
Os tripulantes tinham aparências de seres adultos, embora os dois não passassem, pelos meus cálculos, de 0,50 m de altura.
Puxei o menino para cima e perguntei:
- Você está com medo?
- Tô, meu vô.
- Oxente, cabra! Você não é piauiense não? Eles não irão nos atacar, já deu para ver isso!
Pedi para o garoto não sair do lugar. Fui até à margem do riacho, peguei meu celular no bolso da bermuda, voltei e disse:
-Vamos mergulhar outra vez, vou gravar tudo agora… um, dois, três… já!
A nave ainda estava lá, mas, de súbito, quando posicionei o celular, arrancaram numa velocidade braba, rumo à jusante, fazendo uma onda e uma vibração silenciosa.
- Meu vô, era um disco voador?
- Não sei, meu filhote! Mas, agora, está gravado. Ninguém poderá dizer que estamos inventando lorotas. Nós iremos esfregar essas imagens na cara de muita gente metidas à besta.
Bem, eu não sei onde eu estava com a cabeça quando, num rompante, me meti a gravar o fato. Meu celular não era a prova de infiltrações e assim, acabei perdendo um aparelho com um ano de uso.
Quando comprei outro dispositivo, as imagens estavam borradas, sem nada que comprovasse nossa descoberta.
Eu que sempre imaginei que esse universo incomensurável não poderia ter sido criado apenas para nós terráqueos, agora, tenho certeza que não estamos sós. Vivemos espremidos num planeta minúsculo que gira, alucinadamente, no espaço. Não somos mais que um grão de talco, longe de tudo. Não tenho dúvidas que eles estão por aqui e não, tão somente, por aqui como em todas as partes, até debaixo d'água.
Nós vimos e eu conto
Os blogueiros são responsáveis pelos seus próprios textos, a linha partidária e linguística do autor não condiz necessariamente com a do portal ROTA343. Cada colunista tem liberdade para escrever, respeitando os direitos, deveres e regras de cordialidade exigidas pela empresa.
Divulgue seu negócio e venha fazer sucesso junto com o ROTA343. Clique aqui e entre em contato conosco!






