Editorial — O perigo de eleger o vilão antes da história começar
Xaud, candidato único à CBF, participa de reuniões com comissão de clubes na sede da entidade.
Candidato único à presidência da CBF, Samir Xaud conseguiu o que poucos conseguem no Brasil: vencer sem competir e, ainda assim, virar inimigo público. Bastou subir a rampa da entidade que choveram termos como “mafioso” — afinal, criticar com provas é muito mainstream.
Porque claro, quando um nome do Norte do país ascende, a dúvida automática é: “mas será que é legítimo mesmo?”. Parte da imprensa parece mais preocupada em roteirizar uma série da Netflix do que entender o cenário. “Cartola”, “pressões descabidas” e teorias de bastidores são jogadas ao vento como se isso fosse jornalismo investigativo de alta performance.
A democracia, dizem, precisa de transparência — desde que seja com quem a gente gosta. Já Samir Xaud, esse merece um tribunal popular antes do primeiro ato administrativo. Críticas são saudáveis, mas quando viram julgamento antecipado, perdem a força e revelam mais sobre quem critica do que sobre quem é criticado.
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