Editorial | Corisabbá: a Águia que desaprendeu a voar
Conselheiro do Corisabbá denuncia gestão e cobra eleição
O que acontece com um time quando a história pesa mais que o presente? O Corisabbá, a velha Águia de Floriano, que um dia voou alto no futebol piauiense e até derrubou o Botafogo-RJ na Copa do Brasil, hoje mais parece um pombo sem rumo, esvoaçando entre promessas não cumpridas e gramados que já viram dias melhores. Às vésperas de completar 52 anos, em 24 de maio de 2025, o clube enfrenta um adversário silencioso, mas implacável: a má gestão, que o afasta cada vez mais das arquibancadas vazias, da tabela de classificação e, o mais triste, da própria torcida.
A distância entre o Corisabbá e sua torcida não se mede em quilômetros, mas em abismos emocionais e administrativos. Enquanto os torcedores ainda sonham com os tempos de Bitonho e da glória de 1995, a diretoria parece presa em um looping de decisões amadoras, campos cinzetos e promessas que não saem do papel. Floriano, cidade que já vibrou com o grito de campeão, hoje ecoa o silêncio de arquibancadas vazias e de um estádio mais esquecido que a última vez que o time treinou com seriedade.
Entre 1991 e 2003, o Alvinegro marcou presença constante no campeonato estadual, com títulos, vice-campeonatos e participações nacionais que deram orgulho ao Piauí, chegando a sonhar alto em tempos de glória. Hoje, porém, quem tenta visitar o estádio na esperança de ver um treino encontra apenas o silêncio das lembranças. A Águia de Floriano, que um dia voou alto com garra e identidade, parece agora conformada em empoleirar-se nas sombras de um passado que teima em não voltar.
O futebol, como a vida, exige renovação, planejamento, ousadia. Mas no Corisabbá, esses termos soam como estrangeirismos. É como se a própria estrutura do clube gritasse: “Não incomodem, estamos em pausa existencial.” A torcida, cansada de discursos vazios, quer atitude. O time, perdido em sua própria história, precisa mais do que aniversário comemorativo. Precisa de um renascimento — ou corre o risco de se tornar apenas mais uma nota de rodapé na enciclopédia esquecida do futebol nordestino.
Porque 52 anos é tempo demais para continuar vivendo de um gol contra o Botafogo.
Os blogueiros são responsáveis pelos seus próprios textos, a linha partidária e linguística do autor não condiz necessariamente com a do portal ROTA343. Cada colunista tem liberdade para escrever, respeitando os direitos, deveres e regras de cordialidade exigidas pela empresa.
Divulgue seu negócio e venha fazer sucesso junto com o ROTA343. Clique aqui e entre em contato conosco!






