Crise no HTN une base, mas expõe racha no governo.
HRTN: A Nova Esperança vai prestar esclarecimentos na Câmara de vereadores em Floriano
Na sessão da última quarta-feira (06), a Câmara Municipal de Floriano aprovou a convocação da Organização Social Nova Esperança, do Rio de Janeiro, para prestar esclarecimentos sobre a gestão do Hospital Regional Tibério Nunes (HTN) — um gesto com peso político evidente: a base do governo estadual está cobrando resultados de forma pública.
O pedido partiu do vereador João Neto Gomes (PT), aliado do Palácio de Karnak e figura com capital político consolidado em Floriano. A pauta oficial é administrativa — salários atrasados, denúncias de assédio a servidores, falhas na comunicação da OS. Mas o gesto tem outro significado: expor a Nova Esperança em plenário é também uma forma de pressionar o governo estadual a rever a forma como essas parcerias estão sendo geridas.
Na prática, a base está dizendo: "estamos com o governo, mas não com os erros".

A crítica ganhou ainda mais densidade com a fala do também petista Carlos Eduardo, liderança orgânica da legenda e irmão do deputado estadual Marcus Kalume, esse último mantém influência indireta, mas percebida no HRTN. O tom foi direto e estratégico:
“Esses trabalhadores merecem respeito. Exigimos que a Organização Social responsável pela gestão do HTN reconheça o erro, corrija imediatamente essa falha e valorize quem está na linha de frente da saúde pública. A regularização dos salários não é um favor, é um direito. Cuidar de quem cuida é o mínimo que se espera de uma gestão séria e comprometida.”
A convocação — e o discurso de Carlos Eduardo — colocam a Nova Esperança sob holofotes, mas sem romper com o modelo de OS adotado pelo governo Rafael Fonteles. O que está em jogo não é a terceirização em si, mas a forma como ela está sendo executada. E os vereadores, especialmente os da base, sabem que a insatisfação entre os profissionais da saúde tem custo político direto.
A movimentação na Câmara é um sinal: a blindagem política às OS não é incondicional. Se houver desgaste popular — como já ocorre entre servidores afetados —, parlamentares da base vão buscar se diferenciar.
Importa ainda destacar que o vereador João Neto Gomes (PT) protagonizou, há pouco mais de um mês, confrontos públicos sobre a gestão da saúde em Floriano, ao denunciar perseguição política e retaliação contra seus indicados no Hospital Tibério Nunes. Essa crítica, feita de forma indireta ao deputado estadual Marcus Vinícius Kalume, expõe fissuras internas que a atual crise apenas aprofunda.
Mais do que uma convocação, trata-se de uma reação preventiva. A base quer correção de rumo antes que o desgaste recaia sobre ela nas urnas. A Nova Esperança terá que se explicar — e o governo ouvir. Porque o que está sendo discutido em Floriano pode se repetir em outras regiões do estado.
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