Crise da água em Floriano: concessionária é chamada a dar respostas
Tubulação antiga causa interrupção no abastecimento em 80% de Floriano
Nos corredores da Câmara de Floriano, o clima é de cobrança crescente. O vereador Carlos Eduardo (PT) protocolou, nesta sexta-feira (5), o Requerimento nº 015/2025, exigindo que representantes da Águas do Piauí prestem esclarecimentos sobre as constantes faltas d’água que vêm castigando a população.
A concessionária já havia participado de uma audiência em 18 de junho, quando prometeu substituição gradual das velhas tubulações de amianto e tarifas mais justas para áreas com rede precária. A promessa ficou no papel: os velhos problemas da extinta Agespisa seguem vivos, apenas com novo nome na fachada.
A crise ganhou contornos ainda mais dramáticos nesta semana: foram dois dias seguidos sem água em quase toda Floriano. Casas, escolas, comércios — foram afetados Na quinta (4), a empresa alegou manutenção emergencial em uma tubulação de cimento com mais de 70 anos, responsável por abastecer cerca de 80% da cidade. Na sexta, a torneira continuava seca.
Antes de formalizar o requerimento, Carlos Eduardo já havia feito um desabafo em suas redes sociais no dia 18 de julho, cobrando providências da empresa. Agora, quase dois meses depois, transforma o tom virtual em cobrança formal — e registrou a indignação no Instagram no mesmo dia do protocolo.
Há um detalhe que pesa nos bastidores: a Águas do Piauí é fruto da parceria público-privada criada pelo governo estadual, sob gestão do PT, que extinguiu a antiga Agespisa. Ou seja, o vereador cobra uma empresa que nasceu de uma decisão do próprio partido.
Enquanto isso, a população segue esperando respostas para perguntas incômodas:
- Como explicar dois dias inteiros sem água em quase toda Floriano?
- Por que os mesmos problemas de décadas continuam se repetindo?
- Até quando a população terá de pagar caro por um serviço que falha nas horas mais básicas?
No jogo político, a disputa pelo discurso já está posta: ou a Águas do Piauí dá respostas convincentes na Câmara, ou ficará marcada como símbolo de descaso diante do povo de Floriano — com constrangimento extra para o próprio PT, que criou a parceria hoje tão criticada.
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