Coveiro II

Sou o coveiro sim, deste cemitério, moço;
Onde enterro nem sei quantos corpos ao dia,
Chegam escaveirados de melancolia,
Parecem uns chorar na descida do poço.
.
Nem pense que me julgo imune ao alvoroço,
Ou picado por mosca da topofilia,
Diretamente sou vítima da agonia,
Apenas homizio o meu forte sobroço.
.
Entre mortos sou o vivo mais angustiado,
Tenho um futuro curto e trago do passado
Uma incomensurável carga de amargura....
.
Será preciso muito mais que um coveiro,
Trabalhando incansável por um dia inteiro,
Pra colocar tudo isso em minha sepultura.
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