Com olhos em 2026, Fonteles e Sílvio ensaiam trégua forçada
Encontro de 28 de Julho: Fonteles e Sílvio alinham ações por Teresina
A política, às vezes, exige apertos de mão que a urna não aprova. Foi o que se viu em 21 de outubro de 2024, quando Sílvio Mendes, recém-eleito prefeito de Teresina, visitou o governador Rafael Fonteles. Era o gesto esperado após a vitória sobre Fábio Novo (PT): institucional, civilizado e com o clássico discurso de que os palanques estavam desmontados.
Nove meses depois, em 28 de julho de 2025, os dois se reencontram, mas o tom mudou. O que antes era foto de boa vizinhança virou exigência por respostas. Teresina enfrenta colapso nos serviços básicos, como coleta de lixo e abastecimento d’água. O reencontro deixa claro: não dá mais para só posar para as câmeras — é hora de agir, sob pena de desgaste mútuo.
Sílvio chega ao Karnak pressionado por greves e dívidas; Rafael, por sua vez, sabe que o caos na capital afeta a imagem do próprio governo estadual. Um interlocutor ouvido nos corredores do Karnak relatou que o clima foi “menos cerimonial e mais direto”, com ambos conscientes da gravidade do momento. A reunião envolveu técnicos e procuradores e buscou destravar repasses e delimitar responsabilidades.
É claro que continuam adversários. Rafael quer manter o protagonismo do PT no estado; Sílvio tenta consolidar seu retorno ao poder municipal. Mas Teresina não suporta mais conflitos partidários estéreis. A cidade grita por transporte digno, água nas torneiras, lixo recolhido. E, sobretudo, por líderes que deixem de disputar vaidade para resolver problemas.
O gesto simbólico de outubro agora se transforma em cobrança real. O pragmatismo venceu o teatro. Se a parceria entre governo e prefeitura não sair do papel, os palanques desmontados correm o risco de serem reerguidos não por vontade política, mas pela indignação popular. Porque, no fim, quando tudo falha, a rua cobra. E cobra alto.
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