China derruba o yuan — e espera que o mundo aplauda
Nesta quinta-feira (9), o yuan onshore atingiu o menor nível frente ao dólar

Parece que Pequim resolveu jogar no modo “vale tudo”. Derrubar o yuan para ver se o mundo engole a manobra como “estímulo econômico” é a nova cartada da China na velha novela da guerra comercial. A ideia é simples — ou pelo menos parece simples: desvaloriza a moeda, torna os produtos chineses mais baratos, bombardeia o mercado global com exportações e… torce pra ninguém perceber o truque. Simples, né?
O problema é que o mundo de 2025 não é mais o mesmo. E Pequim parece não ter notado.
Enquanto o Partido Comunista aperta os botões do Banco do Povo como se estivesse jogando Tetris com o câmbio, do outro lado do mundo os Estados Unidos — com todos os seus defeitos — ainda conseguem montar uma rede de alianças com países que, pasmem, não querem virar satélites da muralha vermelha.
Xi Jinping pode até tentar se aproximar dos BRICS como um adolescente tentando montar uma banda com colegas de culturas totalmente diferentes. Mas, sejamos sinceros: a química entre Rússia, Índia, Brasil e África do Sul (com cada um olhando só pro seu umbigo) não é exatamente uma sinfonia geopolítica.
Vamos aos fatos:
A Índia quer ser a nova fábrica do mundo — e não pretende dividir esse palco com a China.
Vietnã e Japão estão mais alinhados com os Estados Unidos do que nunca, cercando estrategicamente o gigante asiático com parcerias militares e tecnológicas.
E até o Brasil, com todo seu espírito conciliador, está mais preocupado com a soja que vende pro Ocidente do que com as intrigas orientais.
Sem falar na Rússia, que no fundo só quer vender gás e causar confusão — enquanto torce para que ninguém peça ajuda pra pagar as contas.
A China pode até querer convencer o mundo de que está liderando uma nova ordem multipolar. Mas entre os “amigos” que a cercam, ninguém fala a mesma língua (nem em sentido figurado, nem literal). E, convenhamos, uma turma que inclui Índia e Paquistão no mesmo bloco não está exatamente pronta pra dar aulas de harmonia.
Enquanto isso, o dólar sobe, o Ibovespa cai, e o investidor brasileiro — esse ser resiliente por natureza — olha tudo isso com um misto de espanto e tédio, tentando adivinhar onde isso tudo vai parar.
Spoiler: provavelmente em mais uma reunião de cúpula, mais promessas de paz e prosperidade... e mais uma rodada de estímulos da China.
A diferença? Agora o mundo está prestando atenção.
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