Arquivo Pessoal

Mozaniel Almeida

Piauiense de coração e alma, contador de causos por vocação e técnico em Agrimensura por formação. Vive em Aracaju desde 1989, onde segue espalhando seu bom humor e amor pela terra natal. Autor do livro É Causo? Deixa que eu conto, também participou de obras coletivas. Não é poeta nem filósofo — é só um cabra arretado que gosta de contar histórias.

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Cabeça de mulher em dois tempos

Cabeça de mulher em dois tempos
Cabeça de mulher em dois tempos (Foto: Gerado por IA)

Primeiro tempo:

    Eu tenho um amigo, daqueles sobre o qual os céus despejaram todas as virtudes de uma vez só. No entanto, como ninguém é perfeito, a mulher dele vivia reclamando para “asamiga”, que o marido era um pouco desligado, que nunca tinha lhe ofertado flores. Que ela achava muito romântico quando o marido dava um buquês à esposa, mesmo que fosse uma vez na vida, só que ele parecia ter nascido sem essa sorte... 

    O certo é que esse buchicho, de tanto andar de boca em boca, um dia chegou ao ouvido do marido, que se surpreendeu com aquilo. Se ele soubesse, segundo comentou, já teria realizado esse desejo há muito tempo e de muito bom grado.

    No dia seguinte, saiu sorrateiramente até uma floricultura, mandou fazer um belo ramalhete e voltou todo meloso, ocultando as flores atrás do corpo. Quando a mulher se virou, ele sapecou na “lata”, sem delongas nem arrodeios:

    - Tome meu amor! É pra você, com muito carinho!

    A mulher, apanhada no contrapé, pensam que ela gaguejou? Pois sim! Respondeu “tomaticamente”:

    - Oxente, eu não acredito! Com certeza, você aprontou uma por ai. Desembuche logo que essa eu não engulo! Vamos logo, desembuche, o que você fez?!

Segundo tempo:

    Outro dia, por volta das 19 horas, eu estava aqui em casa, assentado ao lado da janela. Fazia um calor desesperado, não soprava nem um zéfiro perdido. Estávamos em pleno horário brasileiro de verão e eu esperava o início do Jornal Nacional, periódico televisivo da TV Globo. Incomodado com o desconforto climático, fui ao banheiro e tomei um banho demorado. Depois, coloquei uma roupa nova, camisa de mangas longas, perfume e sapatos. Fiquei nos trinques! Voltando assentei-me no mesmo local.

    Minha mulher que já sentira o perfume no ar, antes que eu me assentasse, já despachou a primeira pergunta, com um tom de voz de delegado do interior:

    - Onde o senhor pensa que vai a essa hora?

    - Eu???!! - perguntei de volta.

    - E tem outra pessoa aqui na sala, por acaso? Claro que estou falando com você.

    - Eu mesmo não pretendo ir a lugar nenhum, - redargui - Arrumei-me pra você, meu amor!

    - Hããããããããã?! O quê? Agora conta a do papagaio, que essa não colou!

    Verdadeiramente, não dá para entender a cabeça das mulheres!...

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