Brasil no jogo de Putin: diplomacia ou peça descartável?
Lula confirma visita à Rússia em maio para reunião bilateral com Putin em meio a tensões geopolítica

O governo brasileiro, sempre fiel ao seu instinto de estar em todas as mesas sem necessariamente segurar nenhuma peça, embarca em mais uma missão diplomática de impacto duvidoso. Lula, que recentemente conversou com Zelensky para garantir sua imagem de mediador global, agora se prepara para desembarcar em Moscou, atendendo ao gentil convite de Vladimir Putin para os atos do Dia da Vitória. Porque, claro, nada mais simbólico para um pacifista do que celebrar a glória militar de uma potência em guerra.
Enquanto o Ocidente deve rejeitar com veemência a brilhante ideia de Putin de criar uma administração temporária na Ucrânia, possivelmente com o "apoio técnico" da Coreia do Norte — porque nada diz estabilidade democrática como a presença de Kim Jong-un —, o Brasil se posiciona no meio desse espetáculo geopolítico com a desenvoltura de quem quer agradar a todos, mas corre o risco de acabar comendo as sobras do banquete.
Afinal, a diplomacia brasileira parece operar sob a premissa de que ser "neutro" significa flertar simultaneamente com Washington e Moscou, com um leve olhar de canto para Pequim. No entanto, essa postura de "falar com todo mundo" pode rapidamente se transformar em "ninguém nos leva a sério", especialmente quando o governo brasileiro aceita desfilar ao lado de Putin enquanto a OTAN reforça sanções e armas cruzam as fronteiras ucranianas.
E o que ganhamos com isso? Fertilizantes russos? Um assento imaginário na mesa de negociação? Ou apenas manchetes internacionais nos colocando como um país que quer ser grande, mas tropeça nos próprios pés ao se enredar em um conflito onde sua real influência é, sejamos sinceros, próxima de zero?
Se Lula conseguir sair de Moscou com algo além de um aperto de mão e uma foto para o arquivo do Kremlin, será um feito. Mas a grande pergunta é: será que o Brasil realmente está jogando xadrez ou apenas servindo de peça para o grande tabuleiro de Putin?
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