RIO E FACE
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RIO E FACE.
O Rio corre sem pressa e destino, desenhando o tempo na pele da terra, como rugas antigas de uma história que ninguém termina.
A face observa as margens do rio, com os olhos cheios de lágrimas de ontem e de agora; o sentimento transborda e reflete na água que nunca é a mesma, mas insiste em lembrar quem é e quem foi.
O rio carrega consigo risos, dores e silêncios, segredos que não voltam mais, e se torna um espelho que encara a própria alma. Há dias em que ele é ternura e, com o passar das horas, ele grita; assim também é seu rosto: que se divide em calmaria e tempestade, uma parte da vida e outra incerta, onde habitam a paz e o abismo.
Quando a noite cai sobre as águas, o Rio e a face já não se distinguem: um corre por dentro do outro, já não há margens nem fronteiras, nem nome: o Rio corre na face e aprende, enfim, a ser Rio.