Arquivo Pessoal

Mozaniel Almeida

Piauiense de coração e alma, contador de causos por vocação e técnico em Agrimensura por formação. Vive em Aracaju desde 1989, onde segue espalhando seu bom humor e amor pela terra natal. Autor do livro É Causo? Deixa que eu conto, também participou de obras coletivas. Não é poeta nem filósofo — é só um cabra arretado que gosta de contar histórias.

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A tal felicidade

A tal felkcidade
A tal felkcidade (Foto: criação IA)

O homem é um guerreiro, forte, destemido, por vezes, assustador, atrevido. Sua luta “diuturna e noturna”, como disse uma filósofa esquerdista, é procurar com a fé do garimpeiro e o ritmo do ferreiro essa tal propalada felicidade.

Até chegar aos sessenta anos de vida, é uma labuta incessante. Bate pernas, vira e mexe esquenta a cabeça, alterca. Vai à escola, fazer amigos, joga bola, quebra bracos, arranca dedos; faculdade, trabalho, viagens, festas, noitadas, sexo adoidado. Ainda assim, existe um vazio que pulsa e pergunta: onde mora essa tal felicidade?

Namora, casa, compra casa, compra carro, compra sítio, tem filhos que os leva à escola. Filhos que birram, esperneiam, crescem, aborrecem, entram e saem da universidade; que namoram, casam, tomam destino e vão embora.

O tempo passa e nos parece que nós e essa tal felicidade navegamos por oceanos diferentes. O tempo se esvai como a água pelo ralo. O sol já está careca de tanto transitar de Leste a Oeste e a bússola já pirou de tanto apontar para o Norte. O carrilhão da sala há anos deixou de badalar as horas e a vitrola tornou-se eletrola, depois, mudou de nome para radiola e acabou sendo rebatizada como aparelho de som. Som que não toca mais “El dia que me quieras e besame mucho!”

Até que num belo dia, ouvi-se algo parecido como um miado de gato, um choro na cama que já se dera por vencida pela esterilidade! Então, acontece um corre corre desembestado. Parece que algum anjo tocou a trombeta do Apocalipse anunciando o fim do mundo.

Acabou de chegar o primeiro neto e depois outro e outros. Um ser minúsculo capaz de cegar até o oculista, pois nasce com cara de joelho, cara de coruja, focinho de porco, mas todos dizem ser a coisa mais linda e fofa do mundo. Impotente, indefeso, contudo, com a capacidade de fazer uma revolução no planeta. É a tal felicidade entrando de enxurrada de porta a dentro e agora, inundando tudo, ocupando todos os lugares, todos os espaços.

De agora pra frente, salve-se quem puder, pois a bagunça só está no começo.

Aracaju-SE., 13/ 1/ 2025

Para: Daniel (Calango),

Maria Teresa (Cabelim de mola),

Graziely (Grazy),

Murilo (Marreco),

Danilo (Paturi),

Benício Luís (Kurumim) e

Tarcísio Luís (Azougue),

Vocês são a nossa felicidade.

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