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No Radar

João Batista de Araújo da Cruz: Com uma sólida formação acadêmica em Matemática e especializações em Matemática Financeira e Estatística Aplicada em Negócios,o professor João Batista promove análise política e econômica do Piauí e do Brasil.

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A novela do PT de Floriano: reconciliação ou ruptura em 2026?

Floriano pode viver nova reviravolta, com o PT enfrentando desafios internos que exigem harmonia

A crise que se desenrola no PT de Floriano já não é apenas um episódio isolado — é o reflexo de um problema estrutural: o desgaste interno de um partido que venceu batalhas legislativas, mas falhou nas urnas majoritárias. O discurso inflamado do vereador João Neto na Câmara Municipal foi só o estopim de uma bomba silenciosa que vinha armada desde a última eleição para prefeito, quando o PT, apesar de eleger uma bancada expressiva, não conseguiu conquistar o Executivo.

João Neto colocou em praça pública o que muitos já cochichavam nos bastidores: a prática de retaliações políticas dentro da máquina pública, especialmente no Hospital Tibério Nunes, supostamente promovidas pelo grupo do deputado estadual Marcus Kalume. O recado foi direto, mesmo sem nome: o “deputado original”, como ironizou o vereador, foi o claro alvo das denúncias. 

Há quem minimize o episódio como disputa de espaço comum na política interiorana. No entanto, o que se desenha é bem mais profundo. Floriano é um polo regional estratégico, e a instabilidade no PT local preocupa figuras-chave como o governador Rafael Fonteles. Sem fazer ruído, Rafael atua por meio de seus canais mais confiáveis — entre eles, o deputado federal Dr. Francisco Costa, padrinho político de Kalume, que agora precisa lidar com os desdobramentos de uma crise que respinga diretamente em sua base.

Kalume, que ocupa a vaga de deputado estadual enquanto Nerinho exerce cargo no Executivo estadual, tenta sinalizar normalidade. Mas o fato de precisar manter a “aparência de paz” já denuncia o tamanho do desgaste. Enquanto isso, lideranças tentam apagar o incêndio com panos quentes, costurando uma possível reaproximação entre os grupos. Apesar disso, o vereador Antonio Neto tem se empenhado nos bastidores em busca de reconciliação.

O tempo, no entanto, corre contra o PT. Com as eleições de 2026 no horizonte, a falta de unidade interna poderá ser explorada por adversários — e não apenas os da oposição tradicional. Marden Menezes, agora no PSD e ex-PP. Sua articulação com Georgiano Neto forma uma nova dobradinha dentro da base do governo estadual, mirando exatamente o mesmo eleitorado que Marcus e Dr. Francisco disputam. E com um detalhe importante: eles não estão em guerra entre si.

O que vemos, portanto, é um PT que sangra enquanto seus aliados se organizam. A não ser que haja uma reconciliação verdadeira — e não apenas encenação de harmonia — o partido poderá chegar a 2026 dividido, fragilizado e vulnerável ao avanço de grupos mais coesos e ambiciosos.

Floriano, já marcado por reviravoltas políticas, pode surpreender novamente — mas será que, desta vez, o maior desafio

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