A dor de um poeta

Dentro da casca, apenas um podre esqueleto,
Armação que segura a carne magra e morta,
Estourada no peito a frágil veia aorta,
Desidratado igual a Tales de Milleto.
Imagine um triângulo sem um cateto,
Na trigonometria esconsa, oblonga e torta.
Uma soleira velha atravancando a porta,
E um fantasma grunhindo a Chave de um Soneto
É assim que se ver um vate apaixonado,
Quando resolve a musa olhar atravessado,
Sem que em nada se funde o seu comportamento...
É uma dor sem cura atravessando o peito,
Que deixando o sujeito ainda mais sujeito,
Num estado de mórbido recolhimento.
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