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No Radar

João Batista de Araújo da Cruz: Com uma sólida formação acadêmica em Matemática e especializações em Matemática Financeira e Estatística Aplicada em Negócios,o professor João Batista promove análise política e econômica do Piauí e do Brasil.

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A Arte de Ciro: Estratégia que a mídia da Teresina silencia

Senador Ciro Nogueira visita Teresina, caminha no Centro e almoça no bandejão

Ah, Teresina. Tão quente quanto os bastidores políticos que hoje fervem com a súbita aparição de Ciro Nogueira no centro da cidade. Sim, ele mesmo: o senador discreto, reservado, geralmente avesso a passeios popularescos, almoçando tranquilamente no Restaurante Popular recém-inaugurado. Coincidência, certamente. Só que não.

Para os desavisados, parecerá um gesto simples, quase cordial. Mas para os analistas — e para os que conhecem o jogo por dentro — essa caminhada tem mais camadas que uma lasanha eleitoral: é cálculo puro, quase um algoritmo humano medindo o alcance da própria influência.

Ciro não é conhecido por fazer política de corpo a corpo. Nunca precisou. O eleitor do Senado, sabemos, vota mais por nome e recall do que por afago na feira. O senador pode continuar sendo um “nome” no voto útil, no voto majoritário, sem jamais encostar o sapato no chão do povo. Então, por que agora?

Resposta: porque o plano não é o Senado. O plano é a Vice.

A visita ao restaurante popular é simbólica. Não pela comida, mas pela imagem. É a construção sutil — mas cuidadosamente calculada — de um Ciro “popular”, acessível, sensível às demandas do povo, mas que mantém o paletó invisível da responsabilidade de Estado. Um equilibrista da narrativa política: almoça entre o povo sem parecer populista, tira foto sem parecer desesperado por like, e caminha entre barracas como quem caminha entre os corredores do Planalto. Estratégia de manual.

O movimento é um verificador de popularidade. Um termômetro real de viabilidade. Afinal, não se mede influência política apenas nas pesquisas — mede-se no calor da rua, nos celulares que filmam, nas reações que viralizam. A caminhada de Ciro é um QR code ambulante: escaneia a receptividade popular enquanto transmite sinais codificados ao centro do poder nacional.

E sejamos honestos: a reeleição ao Senado, se vier, é quase bônus. O foco real está na articulação para compor uma chapa presidencial — e ninguém convida para a vice quem não agrega voto ou imagem. Ciro sabe disso. E sabe também que, na política nacional, ser discreto demais é o mesmo que ser esquecido. Logo, uma caminhada aqui, um prato de feijão ali, um story com sorriso acolá... tudo milimetricamente útil.

Essa é a beleza do movimento: parece espontâneo, mas é engenharia pura. Ao se mostrar "no meio do povo", Ciro sinaliza que pode ser o elo entre o eleitorado comum e o palácio do Planalto. Um nome que une pragmatismo, articulação e, agora, suposta popularidade.

A pergunta que fica: a caminhada convence? Talvez. Em um país onde vice pode virar presidente, e onde a imagem conta tanto quanto o histórico, todo passo importa — e Ciro parece saber onde pisa.

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