A alma e o almo

No que pese morar num luxuoso jazigo,
Aquel’alma não tinha prazer em penar
Pelas ruas e becos, pra aterrorizar
Descuidadas criaturas e dizia consigo:
Ó morte ingrata! O que se sucedeu comigo?
Antes, no frio, ninguém pra meus pés esquentar,
Era uma vida dura, sem ninguém pra amar
E, agora, morta sem um ombro por abrigo..
De súbito, eis que entra um cortejo animado,
Para ser sepultado, ali, na tumba ao lado,
De uma gente afetada e turbulenta grei…
Era corpo de um homem elegante e bonito,
Mas o almo já foi avisando num grito:
Nem vem que não tem! Pois sou um defunto gay.
Ps: era um defunto duplamente fresco!
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